A situação da engorda da principal praia urbana de Natal tomou contornos dramáticos nesta terça-feira (12). O Ministério Público Federal (MPF) subiu o tom e a repercussão nacional através do UOL coloca a gestão municipal sob os holofotes do país por motivos nada nobres.
Segundo a denúncia detalhada por Carlos Madeiro, a perícia técnica do MPF identificou o que classificou como “tubulações falsas”. Tratam-se de galerias de drenagem que, emboravisíveis na superfície, não possuem conexão real com o sistema ou estão completamente obstruídas. O objetivo teórico seria o escoamento das águas, mas o resultado prático tem sido o alagamento sistemático da orla.
“A obra de R$ 100 milhões usou tubulações falsas e fez praia de Natal alagar”, estampa a manchete que circula agora nos principais agregadores de notícia do Brasil.
A gravidade da denúncia reside no fato de que o investimento milionário — financiado com recursos que exigem rigorosa prestação de contas — deveria ser a solução definitiva para a erosão e para a infraestrutura turística. Em vez disso, o que se vê são crateras e águas pluviais sem destino, castigando o comércio local e a imagem do estado.
A existência de um sistema de drenagem de “fachada” é um tapa na face do contribuinte e um risco ambiental direto para o ecossistema marinho de Ponta Negra.
Com a repercussão nacional, a pressão sobre a Prefeitura de Natal e sobre os órgãos de fiscalização estadual aumenta. Já se fala nos bastidores da Câmara Municipal sobre a urgência de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar onde foi parar cada centavo desse contrato e quem são os responsáveis técnicos por autorizar uma obra nessas condições.
O caso Ponta Negra deixa de ser apenas uma questão de “areia na praia” para se tornar um estudo de caso nacional sobre gestão de recursos públicos e ética na engenharia civil.
