Em disputa pelo eleitorado lulista, Cadu eleva o tom e chama Allyson de “oportunista” que tenta iludir o povo

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A disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte ganhou contornos de forte polarização. Em entrevista ao programa Cenário Político, da TCM, o ex-secretário de Fazenda e pré-candidato governista, Cadu Xavier (PT), subiu o tom contra o ex-prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (UB). O foco central do embate é o controle e a identidade do eleitorado progressista e “lulista” no estado.

Cadu não poupou críticas à estratégia do adversário e o acusou abertamente de tentar enganar a população por puro pragmatismo eleitoral.

Para Cadu Xavier, a movimentação de Allyson Bezerra em direção a pautas e figuras alinhadas ao Governo Federal é uma tentativa de criar uma ilusão no eleitorado. De acordo com o petista, a aproximação carece de histórico político real.

“Eu acho que também tem ali uma tentativa por parte dele de iludir o eleitor do nosso estado, se colocando com pautas que quem está no palanque dele nunca defendeu. O eleitor vai perceber que quem sempre esteve ao lado do presidente Lula, não por oportunismo, não por tentar iludir as pessoas, somos nós e não o ex-prefeito aqui de Mossoró”, disparou Cadu.

Xavier argumentou que o avanço do calendário eleitoral naturalmente trará o eleitor de esquerda de volta à base governista, desfazendo o que chamou de “casuísmo político”. Para dar peso à acusação de incoerência, o pré-candidato relembrou os antigos posicionamentos e alianças de Allyson no estado.

“Quem nunca esteve ao lado do ex-presidente Bolsonaro, como é o caso de Allyson Bezerra em vários momentos? Como é o caso de Allyson que votou em Rogério Marinho na eleição passada, que elegeu Rogério Marinho para o Senado? Nós não. Nós sempre estivemos aqui e sempre vamos estar aqui”, enfatizou.

Uern

A disputa entre os dois pré-candidatos também ecoou nas discussões sobre a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) e o funcionalismo público. Cadu usou a atuação do governo de Fátima Bezerra (PT) para contrastar com a passagem de Allyson pela Prefeitura de Mossoró, acusando o ex-prefeito de adotar uma postura contraditória.

Cadu destacou que a gestão estadual garantiu a autonomia da Uern, valorizou servidores e extinguiu a lista tríplice.

Segundo o petista, o discurso do ex-prefeito em defesa da instituição é meramente reativo, motivado pela repercussão negativa de falas de outros opositores (como o ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias). Ele alega que, na prática, Allyson “massacrou os servidores municipais na sua gestão”.

Impostos

Questionado sobre as estratégias fiscais do período em que comandou a Fazenda estadual, especificamente sobre as discussões em torno da alíquota do ICMS, Cadu defendeu seu legado técnico de cabeça erguida. Ele justificou as medidas como uma recomposição necessária da competitividade do RN, duramente afetada por leis federais aprovadas durante o governo Bolsonaro, as quais, segundo ele, contaram com o apoio político de Allyson.

Cadu aproveitou para devolver o rótulo de “aumentador de impostos” ao rival, alegando que Allyson promoveu uma elevação disfarçada de tributos ao reajustar o valor venal de imóveis para aumentar o IPTU em Mossoró.

Por fim, o pré-candidato do PT cravou que o cenário caminha para uma inevitável polarização ideológica no Rio Grande do Norte, desenhando o tabuleiro com clareza:

“Nessa discussão todo mundo tem lado. A gente tem o Cadu de Lula, temos o Álvaro Dias de Bolsonaro e temos o Allyson Bezerra de Robinson Faria e José Agripino. O campo progressista vai estar no segundo turno. Quem vai vir do lado de lá, a gente não tem bola de cristal.”