Alunos do 7º ano da Escola Municipal Manoel Assis estão sem aulas de língua inglesa desde o início do ano letivo, em fevereiro.
A ausência de profissionais na disciplina tem gerado indignação entre os pais, além de improvisações pedagógicas que culminaram em um protesto estudantil com a saída dos estudantes de sala de aula que foi seguido de ameaças de punição dentro da unidade escolar.
De acordo com relatos de familiares, a direção da escola realizou uma reunião com os responsáveis em meados de março, justificando que a Secretaria Municipal de Educação enfrentava dificuldades para contratar um professor para a disciplina. Passados mais de dois meses, o problema persiste e a comunidade escolar afirma que a direção não dá previsão de quando a situação será normalizada.
“Foi feito uma reunião com os Pais em meados de Março e a Diretoria apontou que estava enfretando dificuldades para se encontrar o profissional”, afirmou Osmar Souza, pai de um aluno.
“Já se passaram mais de dois meses e infelizmente o problema continua sem solução e informam que não tem previsão de quando será contratado esse profissional”, complementa.
Improviso
Para tapar o buraco no cronograma, a gestão da escola estaria substituindo o horário de inglês por aulas de língua portuguesa, ministradas por uma estagiária. A titular da disciplina de português, leciona em outra turma no mesmo horário.
A manobra gerou desconfiança e revolta entre os estudantes. Os pais argumentam que o correto seria a alteração do cronograma para que os alunos entrassem mais tarde ou saíssem mais cedo, em vez de adiantar conteúdos sem a presença da professora regente.
“O estado está sendo omisso nessa questão de resolver o problema de contratação desse profissional. Não justifica demorar tanto tempo. Isso está prejudicando até mesmo a avaliação dos alunos, especialmente para o primeiro semestre que se encerra em junho”, desabafou Osmar.
A tensão atingiu o ápice nesta quinta-feira (14). Diante da falta do professor de inglês na primeira aula do dia, um grupo de alunos se recusou a assistir à atividade improvisada de português e permaneceu no pátio da escola, alegando o direito ao “horário vago”.
Em resposta, os estudantes foram informados pela estagiária de que receberiam faltas na aula de língua portuguesa — que oficialmente só deveria ocorrer no segundo horário —, caso não retornassem à sala. A medida foi vista pelas famílias como uma punição arbitrária, supostamente respaldada pela direção da escola.
Os pais relatam ainda tentativas frustradas de diálogo com a coordenação pedagógica da unidade para cobrar esclarecimentos sobre a conduta com os alunos e a demora na contratação do corpo docente.