PF faz busca na casa de Bolsonaro por divergência em registro de arma apreendida

Jair Bolsonaro e um fuzil. Foto: Carolina Antunes/PR

Por Cleber Lourenço, do ICL Notícias 

A Polícia Federal cumpriu, na manhã desta quarta-feira (8), um mandado de busca e apreensão na residência do ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília, para localizar armas, munições, equipamentos e documentos relacionados aos armamentos registrados em seu nome. A medida foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após uma divergência nos registros de uma pistola que já havia sido apreendida com um agente do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

Segundo apuração da reportagem, a diligência durou cerca de 45 minutos. Os policiais procuraram armas, munições, acessórios e documentos referentes aos armamentos registrados em nome de Bolsonaro.

Ao término da operação, a defesa informou que nenhum armamento foi encontrado na residência e classificou a medida como “lamentável”.

A diligência tem origem no episódio ocorrido em junho, quando uma pistola Glock registrada em nome de Bolsonaro foi apreendida durante uma blitz da Polícia Civil do Distrito Federal com um agente do GSI que integra a equipe de segurança do ex-presidente.

Na ocasião, o militar afirmou que havia recebido a arma para realizar manutenção e que faria sua devolução no dia seguinte. A versão foi posteriormente apresentada ao STF pela defesa de Bolsonaro.

O ponto central que motivou a nova busca, contudo, foi uma divergência na identificação da arma. Segundo a defesa, a pistola que o Exército considera não localizada é exatamente a mesma apreendida com o agente do GSI. A inconsistência estaria na grafia do número de série registrada no inquérito policial.

De acordo com os advogados, o procedimento policial registrou o armamento como BOFW477, quando o número correto seria BDFW477. A defesa sustenta que essa diferença de um único caractere levou à impressão de que havia uma segunda arma cujo paradeiro seria desconhecido.

Foi justamente para verificar a existência de outros armamentos e da documentação correspondente que Alexandre de Moraes autorizou a realização da busca e apreensão.

Na semana passada, o ministro já havia determinado a apreensão das armas registradas em nome de Bolsonaro e o cancelamento de seus registros de CAC. Apesar disso, manteve a prisão domiciliar do ex-presidente, entendendo, em consonância com parecer da Procuradoria-Geral da República, que não havia elementos suficientes para revogar a medida cautelar.

Com a diligência desta quarta-feira, a Polícia Federal buscou esclarecer definitivamente se havia armas registradas em nome de Bolsonaro que permanecessem fora do controle das autoridades. Segundo a defesa, a operação não localizou nenhum armamento, reforçando a tese de que a divergência decorre exclusivamente de um erro na anotação do número de série da pistola apreendida em junho.