O presidente estadual do Novo, Renato Cunha Lima, afirmou à Tribuna do Norte que as ações judiciais relacionadas à campanha serão de responsabilidade do partido, negando qualquer interferência de Alvaro Dias. A declaração, porém, desperta uma pergunta objetiva: de onde virão os recursos para custear um dos escritórios de advocacia eleitoral mais conhecidos do Rio Grande do Norte? Nas últimas eleições, o escritório de Erick Pereira recebeu pagamentos elevados de partidos políticos. As imagens extraídas do DivulgaCandContas mostram, por exemplo, despesa de aproximadamente R$ 850 mil pelo PDT/RN em 2024 e de cerca de R$ 1,3 milhão pelo MDB/RN em 2022.

Em contraste, as prestações de contas do Diretório Estadual do Novo/RN disponíveis no DivulgaCandContas revelam uma movimentação financeira bastante modesta. Em 2025, o partido registra receitas de R$ 414,60 e nenhuma despesa. Já na prestação referente a 2022, aparecem receitas de R$ 1.519,10, também sem despesas registradas. Esses valores são incomparavelmente inferiores aos honorários normalmente pagos por grandes partidos para a contratação de escritórios especializados em disputas eleitorais.

Isso não significa que exista qualquer irregularidade. A contratação pode ser custeada por recursos que ingressem posteriormente, por verbas partidárias, pelo fundo eleitoral quando cabível ou por outras formas admitidas pela legislação. Entretanto, enquanto o partido afirma que assumirá os custos das ações, os dados atualmente públicos do DivulgaCandContas tornam natural o questionamento sobre qual será a fonte de financiamento dessa estrutura jurídica. A transparência recomenda que essa informação também seja esclarecida aos eleitores.
