A sensação que senti ao final do debate entre os candidatos ao Governo do Rio Grande do Norte foi de um vazio profundo.
Durante duas horas, o máximo que o eleitor viu foram os podres uns dos outros sendo requentados e embalados como novidades para reaquecer a memória do eleitor mais desatento ao que acontece na política.
Isso não acontece por falta do que propor ou por incapacidade dos candidatos. A questão aqui não é essa.
O debate estava na TV tradicional, a Band RN, mas o foco era nas redes sociais. O mais importante era dialogar com a economia da atenção e, para isso, era preciso “lacrar” para lucrar nas intenções de voto nas pesquisas.
O grande momento do debate neste quesito foi o franco-atirador Robério Paulino (PSOL) afirmando que o ex-prefeito Allyson Bezerra (UB) quer governar o Rio Grande do Norte “farmando aura”.
Isso rendeu vários cortes e até o UOL e o Metrópoles reproduziram o vídeo.
Allyson foi bombardeado. Posou de vítima, denunciou um suposto “jogo combinado”. Não havia combinação. Ele é o líder nas pesquisas, favorito para vencer as eleições.
É normal que se torne o alvo preferencial.
Falou de propostas, mas ficou devendo o detalhamento delas, ficando restrito a se gabar dos feitos da gestão e a sugerir uma terceira ponte ligando a Zona Norte de Natal ao restante da cidade — ideia defendida por Natália Bonavides (PT) nas eleições de 2024.
Allyson passou a maior parte do tempo sendo detonado por causa da Operação Mederi e pela aliança com o ex-governador Robinson Faria (PP), o mais impopular da história.
Cadu Xavier (PT) teve que lidar com o passivo da impopularidade da governadora Fátima Bezerra. Não conseguiu explicar como vai pôr os consignados atrasados em dia. Demonstrou nervosismo, principalmente no início.
Álvaro Dias (PL) surpreendeu ao não exibir a truculência que lhe é peculiar. Teve que se explicar sobre a obra da Engorda de Ponta Negra e o hospital inacabado que inaugurou e até hoje não funciona.
Ninguém apresentou um plano para o Estado superar os gargalos de infraestrutura, avançar na recuperação das estradas, acelerar a recuperação dos índices da educação, melhorar a saúde ou conter a escalada da violência registrada ao longo do ano.
Os candidatos perderam uma bela oportunidade de apresentar propostas.
