Regras vintage causam efeito Rivotril nos candidatos ao Governo, e debate da TCM é o mais propositivo até o momento

Foto: reprodução/Blog Saulo Vale

É o padrão TCM, e está tudo bem. Mas é um formato de debate que faz a gente viajar no túnel do tempo até os anos 1990: regras rígidas e tempo curto para as respostas.

Com esse formato mais tradicional, a temperatura que ferveu nos debates da Band e do Grupo Dial esfriou nos estúdios da emissora mossoroense.

Só assim foi possível ouvir mais propostas do que presenciar aquele clima de quase vias de fato. Isso não quer dizer que o encontro não tenha tido momentos de tensão.

Eles ocorreram.

Mas esse formato mais rígido dificultou o estilo performático de Allyson Bezerra (UB). O ex-prefeito sabia tanto disso que deixou o terno em casa, colocou o chapéu de couro na cabeça e adotou uma postura mais natural. Isso não significa que tenha se saído mal — pelo contrário: adaptou-se bem ao perfil do debate e saiu sem danos à imagem.

O debate mais propositivo acabou sendo bom para Cadu de Lula (PT), que tem um perfil mais técnico e pôde discutir propostas. Ele deixou o tema da Operação Mederi para os adversários usarem contra Allyson e focou no confronto de ideias.

Álvaro Dias (PL) estava menos mal do que nos outros dois debates, mas perdeu boas chances de se sobressair, principalmente na pergunta constrangedoramente mal formulada sobre a obra do Nogueirão.

Robério Paulino (PSOL) manteve o estilo franco-atirador e se mostrou mais vacinado contra a manipulação de Allyson.

Enfim, o estilo vintage das regras da TCM ajudou a tornar o debate mais propositivo.