IPDH aciona MPRN para apurar caso de criança com suposta arma em comemoração de apoiadores de Flávio Bolsonaro

Notícia de fato pede apuração de possível violação de direitos
O Instituto Potiguar de Direitos Humanos (IPDH) protocolou uma notícia de fato junto ao Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) para que sejam apuradas as circunstâncias envolvendo uma criança que apareceu em vídeos segurando objetos semelhantes a armas durante uma comemoração de apoiadores de Flávio Bolsonaro, em Parnamirim, na Grande Natal.

A representação tramita sob o procedimento nº 20.23.2744.0000233/2026-63 e foi encaminhada à Promotoria de Justiça com atribuição na área da Infância e Juventude.

No documento, o IPDH aponta possível exposição de criança ou adolescente a situação de risco e o aparente contato ou manuseio de objeto com características de arma de fogo. A entidade apresenta a notícia de fato para a “apuração de possível violação de direitos de criança ou adolescente”.

Representado por seu presidente, Emanuel Paiva Palhano, o instituto relata que tomou conhecimento do episódio por meio das redes sociais, onde passaram a circular vídeos mostrando a criança sobre a parte superior de um veículo, cercada por diversas pessoas.

As imagens provocaram grande repercussão nas redes sociais e levaram diferentes órgãos a acompanhar o caso.

Mãe também soube do episódio pelas redes sociais

Segundo informações publicadas pelo jornal Tribuna do Norte, a mãe da criança afirmou ao Conselho Tutelar que também tomou conhecimento do episódio por meio das redes sociais.

De acordo com a conselheira Amanda Melo, ouvida pelo jornal, a mãe relatou que o momento teria sido registrado no sábado (3), véspera do primeiro turno das eleições, antes de ganhar repercussão em todo o país.

Ela também informou que a responsabilidade de zelar pela criança estava com o pai no momento do episódio. Os pais estão divorciados há pelo menos oito anos e mantêm um acordo de convivência não judicializado, segundo o qual a criança permanece com a mãe durante a semana e com o pai nos fins de semana.

Ainda de acordo com as informações repassadas à Tribuna do Norte, a mãe declarou que não tinha conhecimento prévio da situação e só tomou ciência após a circulação das imagens.

Mãe diz que objeto era de brinquedo

A mãe teria informado ao Conselho Tutelar que o objeto visto nas mãos da criança seria um simulacro, e não uma arma de fogo verdadeira. A natureza do objeto, no entanto, é um dos pontos que deverão ser esclarecidos pelas autoridades responsáveis pela apuração.

A Polícia Civil do Rio Grande do Norte também passou a analisar o episódio, buscando esclarecer as circunstâncias em que a criança teve acesso aos objetos mostrados no vídeo e identificar eventuais responsabilidades.

O caso também é acompanhado pelo Conselho Tutelar, especialmente diante da exposição da imagem da criança e das possíveis consequências provocadas pela ampla repercussão nas redes sociais.

Com a notícia de fato protocolada pelo IPDH, caberá agora ao Ministério Público analisar os elementos apresentados e definir as providências consideradas necessárias dentro de suas atribuições de proteção aos direitos da infância e da juventude.