Um relatório comparativo entre o levantamento do instituto Mensury e a apuração oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelou um alto nível de precisão na projeção do segundo turno das eleições para o Governo do Rio Grande do Norte. A pesquisa, realizada entre 16 e 19 de outubro de 2026 com 1.500 eleitores, previu o cenário estadual com uma diferença de apenas 0,70 ponto percentual em relação às urnas.
No resultado oficial em votos válidos divulgados pelo TSE, Cadu de Lula (PT) foi eleito com 50,81% dos votos (1.073.024 votos), enquanto Allyson Bezerra (UB) obteve 49,19% (1.040.399 votos). Quando convertidos para votos válidos, os dados do instituto Mensury indicavam a vitória de Cadu com 51,51% contra 48,49% de Allyson, cravando o resultado dentro da margem de erro do levantamento estadual, que era de ± 2,53%.

Desempenho nos Polos e Reta Final
O levantamento do instituto registrou acertos expressivos nos principais polos do estado, como Mossoró, Parnamirim, São Gonçalo do Amarante, Macaíba, Pau dos Ferros e Nova Cruz. Em São Gonçalo do Amarante, por exemplo, a pesquisa estimou 55,1% para Allyson, que terminou as urnas com 56,0%.
Por outro lado, o relatório destacou movimentações de última hora no eleitorado:
- Capital (Natal): A pesquisa indicava liderança de Cadu (55% a 45% nos válidos locais), mas Allyson virou a disputa nas urnas, terminando com 52,9%. A análise aponta que houve uma migração decisiva dos votos do eleitorado de Álvaro Dias na reta final.
- Interior e Regiões: Cidades como Caicó, Currais Novos e Apodi registraram viradas em favor de Cadu nos últimos dias de campanha devido à forte mobilização da base governista.
Comportamento dos Indecisos e do Eleitorado
A pesquisa contava com 8,40% de indecisos e 5,67% de votos brancos e nulos. Nas urnas, os votos brancos/nulos somaram 3,98%, refletindo o engajamento na reta final.
O estudo também destaca a recuperação de Cadu na base lulista do interior: a pesquisa indicava que 26,20% dos eleitores de Lula declaravam voto em Allyson Bezerra, mas Cadu conseguiu resgatar esse eleitorado no segundo turno, crescendo +49,4% em votos (+354.724 votos) na comparação com a primeira etapa da eleição.
O estudo conclui que as divergências pontuais encontradas em cidades de menor porte ocorreram devido ao tamanho reduzido das subamostras locais (onde a margem de erro específica oscilava entre ±12% e ±25%) e à volatilidade dos eleitores na semana do pleito. No quadro geral, a pesquisa cumpriu o seu papel técnico com elevado grau de exatidão.
