O segundo turno das eleições para o Governo do Rio Grande do Norte apresentou comportamentos distintos na evolução das votações de Allyson Bezerra (UB) e Cadu de Lula (PT). Enquanto o candidato apoiado pelo presidente Lula conseguiu ampliar sua votação nos 167 municípios potiguares, Allyson cresceu em 140 cidades, mas registrou queda em outras 27.
Os dados são de um levantamento com base nos votos recebidos pelos dois candidatos no primeiro e no segundo turno.
Cadu apresentou o crescimento mais abrangente territorialmente e também o maior ganho absoluto de votos. Foram 354.302 votos adicionais, contra 306.031 conquistados por Allyson. A diferença entre os ganhos dos dois candidatos foi de 48.271 votos, favorável a Cadu.
O desempenho demonstra que, embora ambos tenham ampliado suas votações, a expansão de Cadu foi mais uniforme pelo território potiguar.
Natal concentrou avanço de Allyson
A capital potiguar foi o principal motor do crescimento eleitoral de Allyson Bezerra. Em Natal, o candidato conquistou 134.651 votos a mais do que no primeiro turno, o equivalente a aproximadamente 44% de todo o seu crescimento líquido no estado.
Parnamirim apareceu na segunda posição, com acréscimo de 35.372 votos. Na sequência vieram Mossoró (+12.832), São Gonçalo do Amarante (+8.331), Extremoz (+7.968) e Caicó (+7.220).
Somadas, Natal e Parnamirim responderam por 170.023 votos adicionais, valor equivalente a 55,6% do saldo positivo estadual de Allyson.
Os números revelam a importância da Grande Natal para a ampliação da votação do candidato entre os dois turnos.
Allyson perdeu votos em 27 municípios
Apesar do crescimento estadual, Allyson terminou o segundo turno com menos votos do que havia recebido no primeiro em 27 municípios.
A maior retração aconteceu em Governador Dix-Sept Rosado, onde perdeu 584 votos. Em seguida aparecem Sítio Novo, com redução de 496 votos, Alto do Rodrigues (-441), Touros (-431) e Paraú (-224).
Também houve perdas em Poço Branco (-220), Pureza (-193), Jardim de Angicos (-192), Cerro Corá (-145) e Porto do Mangue (-123).
Entre os municípios onde a votação diminuiu estão ainda Serra do Mel, com dez votos a menos, e Bento Fernandes, com nove.
A presença de municípios de diferentes regiões do estado nessa relação demonstra que a retração de Allyson não ficou restrita a uma única área geográfica.
Cadu cresceu nos 167 municípios
O desempenho de Cadu de Lula teve como principal característica a expansão em todas as cidades potiguares.
O candidato ganhou votos nos 167 municípios, sem registrar qualquer redução em relação ao primeiro turno.
Natal também liderou o crescimento de Cadu, com 63.462 votos adicionais. Mossoró apareceu em segundo lugar, com aumento de 15.883 votos, seguida por Parnamirim (+14.481), São Gonçalo do Amarante (+11.514), Macaíba (+9.131) e Caicó (+8.310).
Ceará-Mirim (+7.568) e Nova Cruz (+7.093) completam a relação dos oito municípios com maiores aumentos absolutos.
Em Mossoró, cidade que Allyson administrou antes de disputar o Governo, Cadu conquistou 3.051 votos adicionais a mais do que seu adversário entre os dois turnos.
O mesmo aconteceu em São Gonçalo do Amarante, onde Cadu ampliou sua votação em 11.514 votos, contra 8.331 de Allyson, e em Caicó, onde o crescimento foi de 8.310 votos para Cadu e 7.220 para Allyson.
Dois padrões diferentes de crescimento
A comparação dos dados revela duas dinâmicas eleitorais.
Allyson teve uma expansão fortemente impulsionada por Natal e Parnamirim, que concentraram mais da metade de seu saldo positivo estadual.
Cadu, por sua vez, apresentou crescimento generalizado, conseguindo ampliar sua votação em todos os municípios, incluindo aqueles onde seu adversário também avançou.
O resultado indica maior abrangência territorial da expansão de Cadu, enquanto o crescimento de Allyson ficou mais concentrado em grandes centros urbanos, especialmente na Região Metropolitana de Natal.
É importante destacar que o aumento absoluto de votos não significa necessariamente crescimento percentual da preferência eleitoral. No segundo turno, o eleitorado passou a escolher entre apenas dois candidatos, permitindo a redistribuição dos votos dados a outros concorrentes no primeiro turno, além de eventuais mudanças na participação dos eleitores.
O levantamento também não permite identificar individualmente para quem migraram os votos dos candidatos eliminados no primeiro turno.
Ainda assim, os números oferecem um retrato importante da movimentação eleitoral: Cadu conseguiu ampliar sua votação em todo o Rio Grande do Norte e obteve um ganho líquido superior ao de Allyson, que, apesar do forte crescimento na capital, perdeu votos em 27 municípios.
