Thabatta Pimenta reage à possibilidade de perder vaga na Câmara: “Não aceitam que o povo escolheu uma travesti de origem popular”

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A deputada federal eleita Thabatta Pimenta (PV) reagiu às notícias sobre a possibilidade de perder a vaga conquistada nas eleições de 2026, em decorrência de uma ação apresentada pelo PDT ao Supremo Tribunal Federal (STF). Em publicação na rede social X, a parlamentar afirmou que sua eleição continua sendo questionada por setores que, segundo ela, não aceitam a chegada de uma travesti de origem popular à Câmara dos Deputados.

“Até hoje não aceitam que o povo escolheu uma Travesti de origem popular para ser Deputada Federal! A vaga é Nossa! Até com recontagem a Federação Brasil da Esperança ganha a vaga. Vão assistir nossa diplomação e nossa posse. Juntinha com Presidente Lula, faremos muito pelo RN e pelo Brasil”, escreveu.

A manifestação ocorre em meio às repercussões da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 8036, apresentada pelo PDT e relatada pelo ministro Gilmar Mendes. O partido questiona a constitucionalidade do método das maiores médias, utilizado pela Justiça Eleitoral para distribuir as chamadas sobras eleitorais nas disputas proporcionais.

Thabatta foi eleita pelo PV com 92.743 votos, conquistando uma das três cadeiras da Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB) na bancada federal potiguar. Sua eleição ocorreu pelo sistema de distribuição das sobras.

Uma eventual mudança nas regras poderia provocar uma redistribuição das vagas. Entre os nomes apontados como possíveis beneficiários está o ex-governador Robinson Faria (PP), que recebeu 123.008 votos, mas ficou na suplência. Apesar de ter conquistado mais votos individuais que Thabatta, Robinson não foi eleito porque sua federação obteve apenas duas cadeiras.

O PDT argumenta que a sistemática atual pode favorecer a concentração de mandatos em determinados partidos e federações, prejudicando a proporcionalidade da representação política. A ação, no entanto, não pede especificamente a retirada do mandato de Thabatta nem a eleição automática dos candidatos individualmente mais votados.

Simulações apontam manutenção da vaga

Apesar das especulações, estudos sobre os possíveis efeitos da ação apontam que a vaga de Thabatta não seria alterada caso o critério atual fosse substituído pelo método dos maiores restos.

Um levantamento do advogado eleitoral Victor Hugo, divulgado pelo Portal 98 FM, indica que uma mudança desse tipo não modificaria a distribuição das oito cadeiras da bancada federal do Rio Grande do Norte.

Outra simulação, publicada pelo portal O Potiguar, chegou à mesma conclusão: a Federação Brasil da Esperança continuaria com três vagas, enquanto a Federação União Progressista (União Brasil e PP) permaneceria com duas.

Esses cálculos, entretanto, não antecipam o resultado do julgamento, uma vez que o STF poderá adotar entendimento diferente sobre a matéria.