A dura vida de artista e o caso Thábata x Chimbinha

Por William Robson

Quem conhece um pouco de música (falo na questão da prática profissional e não de ligar o Spotify) sabia que a vida de Thábata não seria necessariamente de glamour.

O palco colorido e iluminado e a roupa prateada são apenas a parte fim do negócio. O processo que antecede a isso é altamente desgastante: viagem de avião, de ônibus, noites mal dormidas nos percursos esburacados, ensaios e, no caso dela, entrevistas maçantes e programas de TV.

É tão puxado que conheço uma galera de amigos músicos que abriram mão de tocar em bandas grandes porque preferiam dormir em casa com a família, e dispensar a vida de peregrino que levava a se encontrar com a esposa e com o filho uma vez por mês. Sem falar no salário, que se dividido à quantidade de shows, não comprava um “completo calabresa”.

Conheço um monte de bandas que surgem e acabam porque lidam com figuras de temperamento difícil, incompatibilidade de horários, críticas no repertório, dificuldades técnicas nos ensaios e nas gravações. Isso, quando não há influências externas, como o caso de Rodolfo, que decidiu virar crente e matar os “Raimundos” ou a implicância da mulher de Max Cavalera, que desfigurou o Sepultura.

Enfim, não é a primeira vez que Thábata larga um projeto em andamento (embora neste, seja apenas uma funcionária da banda). Na sua tentativa mais próxima de chegar ao sucesso, com o apoio da Destaque Produções e de grandes músicos mossoroenses que abdicaram de seus empregos paralelos, acreditando na proposta, chutou o pau da barraca de uma hora para outra, e voltou à estaca zero.

O cenário é diferente, porque ela estava na qualidade de integrante de uma banda, como uma serviçal de luxo de Chimbinha que, se tem temperamento difícil e vive chapado, é o dono do projeto.

Ou seja, o glamour que acredita-se existir na música só estava na cabeça daqueles que contribuíram para os milhares de likes que ela ganhou (e que cairão fortemente nos próximos dias, pois como sabemos a humanidade é hipócrita e inviável) e que reduz uma atividade estressante como a música a um palco e a um play.

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