A eleição da UFRN e o desafio da transparência

Por Thiago Medeiros*

A eleição para reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte entra em uma nova fase e promete ser uma das disputas mais observadas dos últimos anos. Não apenas pelo peso político da instituição, mas pelo tamanho da responsabilidade de quem estará à frente dela entre 2027 e 2031.

A UFRN não é uma instituição qualquer. É patrimônio público, produz conhecimento, forma milhares de profissionais, influencia o desenvolvimento do Estado e administra orçamento expressivo, além de participar de contratações, convênios e decisões com impacto econômico e social. A própria universidade possui estruturas de transparência, auditoria, governança e controle justamente porque administra recursos públicos.

Por isso, há uma questão que deveria estar no centro da eleição: transparência também na campanha.

As regras atuais do processo eleitoral são objeto de questionamentos e, segundo análises divulgadas publicamente, há lacunas relacionadas à prestação de contas, ao teto de gastos, à origem das doações e à eventual desincompatibilização de ocupantes de funções administrativas. Essas questões precisam ser esclarecidas institucionalmente, sem antecipar conclusões sobre qualquer candidato.

Uma eleição para comandar uma instituição desse porte não deveria permitir zonas cinzentas. Quem financia uma candidatura? Quanto foi arrecadado? Quanto foi gasto? De onde vieram os recursos? Existem apoiadores externos à comunidade universitária? Há limites objetivos para as despesas?

O fato de pessoas de fora da UFRN poderem realizar doações, por si só, não significa irregularidade. Mas torna ainda mais importante que origem, valores e destinatários sejam conhecidos publicamente e estejam sujeitos aos mecanismos de fiscalização e controle.

Este ano, a disputa também pode ganhar contornos mais ideológicos, com a presença de candidaturas identificadas com diferentes campos políticos. Isso torna a transparência ainda mais necessária.

A UFRN deve evoluir. E evolução institucional passa também por reconhecer que quanto maior o orçamento, o poder e os interesses envolvidos, maior deve ser a transparência de quem pretende comandá-los.

*É Sociólogo.

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