A indústria das fake news vem sendo desmontada pela imposição dos fatos no RN

Por Daniel Menezes*

Quem acompanha o debate pela imprensa e por dados oficiais, fugindo de memes e vídeos de whatsapp como fonte de informação, notou revelação importante durante a última semana. Não era exatamente novidade, mas os esclarecimentos reforçaram por ângulos distintos quem se encontra com a verdade.

Desde a pandemia que surgiu uma narrativa falsa sobre o super envio de recursos para o RN. Conforme o discurso, nunca o estado tinha recebido tanto dinheiro. Daí o pagamento de folhas atrasadas. Já era sabido que as afirmações careciam de fundamento. Após o presidente Jair Bolsonaro resistir, o congresso aprovou o envio de recursos para a reposição de perdas de arrecadação por estados e municípios causadas pelo alastramento da covid-19. Ou seja, governos e prefeituras receberam o mesmo montante de arrecadação do que gestões anteriores e não verba sobrando. Para a covid, dinheiro também foi enviado. Porém, como se sabe, a soma, além de ser exclusiva para a pandemia, não foi suficiente para o quesito e precisou de complemento local e estadual. A apresentação dos fatos demonstra que há mérito, por exemplo, na quitação de folhas em atraso pela administração estadual e é justamente isto que a indústria das fake news trabalha para escamotear.

Ainda assim, tudo ficou no terreno do “cada bolha tem a sua versão”. Eis que a realidade acabou por ser escancarada por quem menos se esperava. O ex-governador Fabio Dantas fez uma comparação esdrúxula entre a arrecadação dos primeiros três anos de Robinson Faria e de Fátima Bezerra. Segundo ele, Fátima teve acesso a uma arrecadação maior. Ora, Dantas escondeu a atualização monetária dos valores recebidos por cada uma das administrações citadas. Bastou corrigir os dados conforme a inflação de cada período para demonstrar que, na verdade, Fátima Bezerra teve acesso a menos recursos do que a gestão anterior. A patacoada foi tamanha que Fábio Dantas teve de ler piadas sobre se ele não seria, na prática, um petista infiltrado na oposição.

A indústria das fake news é hoje a principal ferramenta operacionalizadora de um discurso de oposição no Rio Grande do Norte. Isto porque, se sairmos da análise radical e de versões carentes de base factual, será possível comparar quem fez o que hoje e no verão passado. A realidade é a principal adversária das chances de viabilização da oposição em 2022.

*É sociólogo e professor da UFRN.

Este texto não representa necessariamente a mesma opinião do blog. Se não concorda faça um rebatendo que publicaremos como uma segunda opinião sobre o tema. Envie para o barreto269@hotmail.com e bruno.269@gmail.com.

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