A saúde do RN foi da “sobrevivência” com Rosalba e Robinson à expansão com Fátima

Foto: Reprodução/Inter TV Cabugi

A saúde pública do Rio Grande do Norte atravessou, nos últimos 15 anos, um percurso que vai do colapso financeiro à reestruturação física. Ao comparar as gestões de Rosalba Ciarlini, Robinson Faria e Fátima Bezerra, o que se observa não é apenas uma mudança de nomes, mas uma transição de modelos: da sobrevivência à expansão.

O Ciclo da Crise (2011–2018)

Era Rosalba: O Início do Desabastecimento

A gestão da médica Rosalba Ciarlini (2011-2014) herdou um estado em mutação fiscal. Embora tenha entregue o Hospital Deoclécio Marques em Parnamirim, sua marca foi a judicialização. Com a Unicat (Central de Medicamentos) operando com estoques críticos, o cidadão potiguar passou a depender de liminares para conseguir de dipirona a quimioterápicos. Foi o período em que o “Estado de Calamidade” na saúde tornou-se um jargão comum nos boletins oficiais.

Era Robinson: O Colapso das Escalas

Se Rosalba enfrentou a falta de insumos, Robinson Faria (2015-2018) enfrentou a falta de gente e de crédito. Com salários atrasados por até quatro meses, as greves tornaram-se rotina. O Hospital Walfredo Gurgel viveu seus dias mais sombrios, com corredores lotados e cooperativas médicas suspendendo serviços por falta de pagamento. A tentativa de regionalizar a saúde esbarrou na incapacidade de custeio: os hospitais do interior eram “cascas” sem especialistas ou UTIs operacionais.

A Grande Virada a Era Fátima (2019–2026)

O governo de Fátima Bezerra será historicamente definido por um paradoxo: uma crise sanitária global (COVID-19) que serviu de motor para o maior investimento em infraestrutura hospitalar do RN.

Enquanto as gestões anteriores mantinham a alta complexidade praticamente restrita à capital, a atual gestão promoveu uma descentralização sem precedentes. Cidades como Pau dos Ferros e Santo Antônio, que antes eram apenas pontos de passagem para ambulâncias em direção a Natal, ganharam leitos de UTI próprios.

O Hospital Tarcísio Maia, que operava com apenas 14 leitos de UTI, viu esse número saltar para 54. A inauguração do Hospital da Mulher, com mais de 160 leitos.

Dados que Contam a História

Abaixo, a comparação direta dos pilares que sustentam a rede estadual:

Pilar de Gestão Período Rosalba/Robinson Período Fátima Bezerra
Leitos de UTI (SESAP) Estagnados em ~140 Expansão para >450 (300+ fixos)
Recursos Humanos Reposição pontual / Atrasos 1.700+ concursados nomeados
Tecnologia de Fluxo Papel e telefone Regula RN (Monitoramento em tempo real)
Obras Estruturantes Deoclécio Marques (2011) Hospital da Mulher e Metropolitano (2026)

O Desafio Final

Em março de 2026, o cenário da saúde potiguar foca em um objetivo simbólico: zerar o corredor do Walfredo Gurgel.

A estratégia de Fátima Bezerra para este capítulo final baseia-se em dois eixos:

  1. O Hospital Metropolitano: Localizado em Parnamirim, com 350 leitos previstos, a unidade foi projetada para ser o “pulmão” que faltava à Grande Natal, absorvendo toda a ortopedia que hoje trava o Walfredo.
  2. Concursos em Massa: A nomeação de mais de 800 servidores em março de 2026 busca garantir que o aumento de leitos seja acompanhado de assistência humanizada, e não apenas de equipamentos novos.

Se a década de 2010 foi marcada pela frase “não temos vagas”, a década de 2020 no RN parece caminhar para “temos a vaga, agora precisamos gerir o tempo”. A saúde de Fátima entrega uma rede fisicamente maior e mais interiorizada que a de seus antecessores, mas ainda luta contra a herança de uma demanda reprimida por anos de subinvestimento.