Absurdo! Pré-candidato ao Governo do RN compara marcha de Nikolas a ato de ícone da luta por justiça social

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O ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (Republicanos), pré-candidato do bolsonarismo ao Governo do Rio Grande do Norte gravou um vídeo exaltando a marcha do deputado federal Nikolas Ferreira (PL//MG) que terminou com 72 feridos atingidos por um raio e por crises de hipotermia na tarde de ontem.

Na fala, Álvaro compara o ato a “Marcha sobre Washington por Trabalho e Liberdade”, liderada por Martin Luther King, ícone da luta pelos direitos civis nos Estados Unidos. O evento é mercado pelo famoso discurso “Eu Tenho um Sonho” no Lincoln Memorial.

“É bom lembrar que muitas outras marchas ficaram gravadas na memória de todos, como a Marcha de Washington, comandada por Martin Luther King em favor dos direitos humanos e pelo fim do racismo nos Estados Unidos, quando ele pronunciou seu famoso discurso ‘Eu tenho um sonho’. Ele rendeu a escolha do homem do ano pela revista Time e o título de Prêmio Nobel da Paz”, afirma Álvaro no vídeo.

A comparação é absurda a começar pelos números: no evento de ontem, calcula-se que teve a presença de 18 mil pessoas, segundo o monitor da Universidade de São Paulo (USP). Já o evento realizado em 28 de agosto de 1963, foi uma manifestação que reuniu 250 mil pessoas.

Mas o absurdo não para por aí.

O mais chocante é colocar na mesma prateleira figuras com perfis opostos. Luther King entrou para história por combater o racismo, defender justiça social e a democracia.

O evento de Nikolas pedia liberdade para golpistas, pregava perseguição a adversários e a história de vida do deputado é marcada por perseguição a minorias que já lhe rendeu condenações na justiça.

A marcha do deputado mineiro defendeu a libertação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) que tramou um golpe de estado que planejava matar o presidente Lula da Silva (PT), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

Além disso, no ano passado Bolsonaro foi condenado a pagar R$ 1 milhão em indenização por danos morais coletivos por comparar o cabelo de uma pessoa negra a um “criatório de baratas”.

Ficou no mesmo assunto um ícone do combate ao racismo e um defensor do racismo.

Nem mesmo comparar o evento com fatos históricos envolvendo pessoas mais próximas do que Nikolas pensa (Marcha sobre Roma em 1922 e a “Marcha das Tochas” na Alemanha em 1933) caberia dada a dimensão pavorosa desses acontecimentos para a humanidade.

A comparação feita por Álvaro é uma falta de respeito com a história e um constrangimento (se é que essa gente se importa com isso) para a Academia Norte-rio-grandense de Letras da qual ele faz parte sem ter méritos para isso.