“Acredito que Robinson pegou um Estado em mais dificuldades que Rosalba”, diz presidente da Assembleia

O presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira de Sousa (PMDB), repete a regra de seus antecessores. Foi eleito e logo no primeiro ano de mandato antecipou e garantiu a reeleição para ficar mais quatro anos no cargo. Como seus antecessores, ele é especulado para voos maiores. Há quem diga que ele sonha com uma vaga no Senado. Como os antecessores, ele deve mudar de partido para se fortalecer. Mas, diferente dos antecessores, ele viu o Ministério Público bater a porta do parlamento estadual. Nesta entrevista, Ezequiel fala sobre todos esses assuntos. No Blog do Barreto a entrevista  também publicada em O Mossoroense também pode ser ouvida na íntegra.

O Mossoroense: Deputado Ezequiel, qual conjuntura o senhor encontrou quando assumiu a presidência da Assembleia?

Ezequiel Ferreira: Na realidade, essa foi uma eleição que não se via na Assembleia porque as outras eleições possuíam um candidato de consenso. Dessa vez tivemos o candidato Ricardo Motta e o deputado Ezequiel Ferreira. Diante do quadro apresentado na segunda-feira se entrou num consenso porque nós já tínhamos 16 votos e o grupo do deputado Ricardo Motta num gesto acima de tudo de união da Casa, mostrando que a Assembleia não tem qualquer disputa interna, juntou-se ao nosso grupo e tivemos uma eleição com unanimidade. Esse foi o quadro que encontramos desde o início.

OM: Como está a saúde financeira da Assembleia Legislativa?

EF: Ao assumirmos fizemos um planejamento estratégico. Juntamos um grupo de colaboradores, de pessoas que vestem a camisa da Assembleia Legislativa que foram escolhidas a dedo todas com o critério da responsabilidade, da determinação em fazer da Casa uma Assembleia melhor. Elaboramos em 100 dias um planejamento estratégico. Nós primeiro apresentamos à mesa, depois aos 24 parlamentares e em seguida a toda a casa legislativa e também aos poderes constituídos do estado do Rio Grande do Norte elencando algumas mudanças que precisamos fazer melhorando, por exemplo, a TV Assembleia para ser um canal onde a gente tivesse condições de mostrar e de ampliar esse sinal que chegava a 45% do Estado. Já fomos a Brasília e tivemos audiências com o ministro e esperamos em breve aumentar esse sinal para 75% de todo o Estado para que a população se aproxime cada vez mais do seu parlamentar e acompanhe os trabalhos da Assembleia. Fizemos importantes campanhas na área de comunicação, como a campanha da adoção, e estamos informatizando toda a Assembleia desde a sua folha de pagamento, que ainda não era informatizada, como o setor legislativo para trazer agilidade e transparência cada vez mais. Numa gestão moderna você precisa cortar e ao mesmo tempo encontrar outras formas de arrecadar mais. Fizemos um corte de R$ 1,3 milhão mês em cargos e gratificações da Assembleia. Fizemos um corte de 120 linhas de telefone. Acabamos com dois anexos que eram prédios alugados a Assembleia Legislativa e juntamos isso a um único prédio alugado. Ou seja: nós tínhamos três anexos e eu consegui reduzir para um anexo numa economia substancial. Criamos um fundo legislativo que entra a parte nova de arrecadar nos mesmos moldes que a Câmara Federal e o Senado Federal têm. As instituições financeiras que trabalham com a Assembleia Legislativa na hora que há alguma operação de um funcionário da Assembleia no particular, a instituição entrega a esse fundo legislativo um percentual e foi com esse percentual que foi possível, visando o incremento naquilo que acho mais importante que é o funcionário da Casa, pagar os 5% para quem fez pós-graduação e capacitou-se e voltamos a pagar os planos de cargos carreiras e salários a partir desse fundo legislativo. Ao mesmo tempo em que enxugamos a Assembleia Legislativa criamos outras fontes de recursos. Posso citar como exemplo as duas instituições financeiras que atuam aqui na Casa como o Banco do Brasil e o Banco Santander que não pagavam aluguel apesar de estarem num espaço da Assembleia e com energia paga pela Assembleia nós criamos o aluguel. Chamamos os bancos e mostramos que seria justo que pagassem o aluguel. Criamos formas de enxugar e ao mesmo tempo arrecadar mais diante da crise que vivemos.Essa é uma crise bastante acentuada com cortes jamais vistos no Governo Federal. São mais de 80 bilhões de reais de cortes no orçamento que tem um reflexo de imediato nos governos, nas prefeituras e nos poderes. A Assembleia não é uma ilha. Tem que fazer o seu dever de casa. Portanto, a Assembleia Legislativa vive um novo momento, incrementando a capacitação do servidor como nós há pouco tempo assinamos um convênio fazendo cursos de pós-graduação. Mais do que isso: fomos a primeira Assembleia do Brasil… na semana retrasada assinamos… tivemos a alegria de assinar com a Universidade Federal o primeiro curso de mestrado sendo a pioneira no Brasil a ofertar um curso de mestrado para os nossos servidores ou seja: a Assembleia investe na capacição, no aprendizado e na melhoria do seu servidor para poder, sem dúvida nenhuma, um serviço de excelência para a população do Rio Grande do Norte.

OM: O governador Robinson Faria tem enfrentado algumas dificuldades, te surpreende que ele esteja enfrentando essas dificuldades?
EF: De maneira nenhuma porque nós que fazemos política sabemos que essas dificuldades não advêm do governo de Robinson. Advêm do governo passado. Basta lhe dizer que a Assembleia Legislativa precisou autorizar no final do governo Rosalba para que ela pudesse pagar o 13° o salário utilizando o fundo previdenciário. Caso o governo estivesse bem e saneado não precisaria pedir à Assembleia Legislativa essa autorização. Sabemos das dificuldades que foram herdadas e não é só na folha de pagamento. É no sistema prisional, no sistema de saúde, no sistema de segurança pública, foi herdado, portanto, um serviço ineficiente com poucos recursos em meio a uma crise que se agravou do ano passado para cá e que acho que o governador pela sua determinação, pela sua capacidade de enfrentar a crise, tem se saído bem diante das adversidades encontradas. Se fizermos um comparativo com o Rio Grande do Sul, que é um estado muitas vezes mais rico que o nosso Rio Grande do Norte, podemos analisar e ver que a situação, por exemplo,dos servidores é completamente diferente. Lá há atraso. Se paga só no final do mês, salvo engano, para quem ganha até R$ 2 mil.

OM: Presidente, por esse ponto de vista o senhor entende que o governador vai bem. Pode-se até dizer que a essa altura do ano o desgaste dele é bem menor que o de Rosalba em 2011. Que diferenças de posturas o senhor identifica entre Robinson e Rosalba?

EF: Os dois pegaram o Estado em dificuldade. Acredito que Robinson pegou o Estado em mais dificuldades que Rosalba, mas o governador Robinson Faria tem tido a humildade de conversar com os poderes, de chamar a sociedade civil organizada para sentar à mesa mostrando as dificuldades encontradas e buscando acima de tudo caminhos e luz no fim do túnel para tirar o Estado da situação em que se encontra. Nós temos, por exemplo, agora o Hub daTAMque é um assunto bastante discutido e de suma importância para a economia do Rio Grande do Norte. Nós precisamos, e a classe política tem demonstrado isso, dar as mãos e somar esforços porque precisamos entender que o Rio Grande do Norte deve seguir os exemplos de outros estados. Quando a campanha política acaba o povo elege os escolhidos. Precisamos colocar numa gaveta as diferenças partidárias e partirmos para uma bandeira só que é a bandeira do estado do Rio Grande do Norte. Esse tem que ser o conceito de todos que fazem política no RN. Passada a campanha política, o Estado tem que ser um só. Um só para enfrentar todos os desafios, um só para buscar acima de tudo caminhos para enfrentar esses desafios e acho que acima de tudo nessa administração o governador por essa capacidade de diálogo, por essa facilidade de conversar com os poderes, com os pares e os representantes da sociedade organizada como Fiern, Fecomércio e com todos tem feito um governo diferenciado.

OM: O senhor acha que a classe política do Rio Grande do Norte está unida?

EF: Acho que quanto mais unida melhor.

OM: Mas, falta união?

EF: Acho que quanto mais unida melhor. Acho que já há união, mas que pode haver cada vez mais união. É natural que uma casa legislativa, por exemplo, como a nossa você tenha deputados de várias ideologias, representando várias regiões do Estado e a casa legislativa dá uma demonstração de que essa união existe quando há a necessidade de se unir os pensamentos em defesa da população. Um exemplo claro é quando essa Casa autorizou a utilização do fundo previdenciário. Nós ficamos no seguinte dilema: ou autorizávamos o governo Rosalba a usar ou ela atrasaria dezembro e o 13° salário. Seriam mais de 100 mil famílias sem direito ao salário e décimo terceiro no final de ano que é uma época de confraternização, do natal, da mudança de ano, da expectativa de dias melhores… Portanto, a Assembleia quando está de frente de problemas que ela pode com seu voto contribuir com o governo para a vida do povo melhorar ela se une em defesa desse povo e a classe política pode seguir esse exemplo tanto na bancada federal… quanto a abrir o diálogo colocando o interesse do povo em primeiro lugar.

OM: Como está a sua situação no PMDB que é oposição ao governador que é seu aliado?

 EF: Sem nenhum problema. Quando eu fui eleito deputado estadual eu fui eleito para representar o povo do Estado Rio Grande do Norte. Assim tenho feito. Vou defender toda e qualquer matéria de interesse do Governo do Estado que seja em defesa do povo. Na hora que vai beneficiar a geração de emprego, por exemplo, agora há pouco acabei de receber o secretário de turismo Ruy Gaspar a quem quero de público um elogio pelo trabalho que vem fazendo no turismo. Enquanto índices econômicos batem recorde de queda no Brasil, o Rio Grande do Norte cresceu 10% nesses seis primeiros meses no turismo. Para você ter noção são mais de 120 mil pessoas que vivem do turismo no Rio Grande do Norte. Ele esteve comigo e os outros 23 deputados para fazer um apelo para que os deputados pudessem colocar uma parcela das suas emendas impositivas para serem destinadas ao turismo para que elas possam ser transformadas em publicidade para o Rio Grande do Norte no Brasil e fora do Brasil. Houve um acréscimo de 200 milhões de reais ou seja: fomentando essa indústria sem chaminé que é o turismo.

OM: Como o senhor analisa essa greve de tempo recorde da UERN?

 

EF: Analiso com uma certa preocupação. A Assembleia Legislativa tem sido uma intercomunicadora entre o governo e os sindicatos. Porém a gente precisa entender o outro lado. Quando se administra com dinheiro é muito fácil dizer sim. Quando se administra em dificuldades com escassez de dinheiro fica mais difícil dizer sim. Então acredito e torço para que por mais que esteja extensa essa greve possa se achar um bom termo entre o governo e a UERN.

OM: O senhor está aguardando o PL ser criado para deixar o PMDB?

 

EF: Em política nunca se deve dizer “nunca” ou “não”. Estou no PMDB, fui eleito pelo PMDB, mas é óbvio que a minha linha é uma linha, e eu disse no início da entrevista, de acabou a campanha política acabou a disputa partidária, a disputa eleitoral e agora a minha preocupação é ajudar o Rio Grande do Norte e ajudar o governador para que o Estado dê certo. Afinal de contas o povo quer saber o que os gestores estão fazendo para melhorar a sua vida seja na saúde, seja na segurança, seja na educação, seja no sistema carcerário para que não haja tantas fugas. O cidadão quer saber o que o gestor público está fazendo no seu trabalho, aquele para o qual ele deu o seu voto para que sua vida melhore. O meu foco agora não é a mudança partidária, não é a mudança de legenda. O meu foco é poder contribuir nessa casa ao lado dos outros 23 deputados para que o Rio Grande do Norte possa melhorar.

OM: Comenta-se que o senhor planeja disputar o Senado em 2018.  Existe essa possibilidade?

 

EF: Essa é uma história interessante. Até hoje eu não descobri quem inventou essa história. Eu até hoje não disse a ninguém de plano nenhum sobre o Senado da República como não o tenho. Sou presidente da Assembleia há sete meses. Estamos fazendo uma gestão moderna e inovadora. O meu desejo é acabar os meus quatro anos de mandato como presidente da Assembleia deixando essa casa melhor do que encontrei. Mais próxima do povo, mais transparente, mais ágil, fazendo o que fizemos agora nos seis primeiros meses quando batemos todos os recordes em números de projetos de lei, de requerimentos, de audiências públicas e não tem uma matéria ou um assunto que aflija o povo do Rio Grande do Norte que não tenha sido debatida nessa casa. Agora mesmo, dia 28, a Assembleia tem o prazer de receber aqui para discutir sobre a transposição do Rio São Francisco, e a celeridade desse processo, diante da maior crise hídrica que nós já assistimos na história do Rio Grande do Norte o ministro que vem para cá, da infraestrutura, com os senadores com os deputados federais, com a bancada estadual, prefeitos e vereadores. A Assembleia vem, graças ao trabalho dos 24 deputados, desempenhando esse papel com altivez, como competência, com capacidade e acho que nesse assunto da água nós precisamos unir o Nordeste. Pois o Rio Grande do Norte, só, não pode fazer com seu grito possa ser escutado na altura necessária pelo Governo Federal. Precisamos unir o Nordeste inteiro para falar, em nome de 50 milhões de brasileiros, da maior crise hídrica da história desse país.

OM: Para encerrar tivemos a “Operação Dama de Espadas” já durante a sua gestão. Qual o seu posicionamento?

EF: Foi uma ação do Ministério Público que veio com uma ordem judicial de busca e apreensão. A Assembleia Legislativa atendeu todo e qualquer pedido que foi solicitado pela justiça da forma mais tranquila e transparente possível.

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