Agripino acredita que dificilmente Dilma trará fatos novos em defesa

O presidente nacional do Democratas, José Agripino (RN), acredita que dificilmente  a defesa da presidente afastada Dilma Rousseff, a ser entregue nesta quarta-feira (1º), na comissão especial do impeachment, apresentará elementos novos sobre a acusação de que a chefe do Executivo afastada praticou crime de responsabilidade. Ainda segundo o senador, a admissibilidade do afastamento, aprovado pelo Senado no dia 12 de maio por 55 votos a 22, já tratou em parte do mérito e, portanto, o placar deverá se repetir. 

O mérito, em grande medida, já foi considerado na admissibilidade e, se não vierem elementos novos na defesa da presidente afastada, haverá uma repetição de fatos que já tiveram o veredicto: 55 votos pela admissibilidade e pela condenação de Dilma”, afirmou o parlamentar. “Se não existirem fatos novos fortes, robustos em cima do mérito, a repetição do resultado da votação no Senado é um fato esperado”, acrescentou. 

Vinte dias após a abertura do processo de impeachment pelo Senado, a presidente afastada deverá entregar sua defesa das acusações de que cometeu crime de responsabilidade ao praticar as chamadas “pedaladas fiscais” e ao editar seis decretos de crédito suplementar sem autorização do Congresso. A defesa de Dilma deverá alegar que os atos não configuram crime de responsabilidade e que o processo de impeachment tem “vícios de origem” porque teria sido aberto por “vingança” pelo presidente afastado da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Na quinta-feira (2), a comissão especial do impeachment se reúne para discutir o cronograma de atividades do colegiado nesta etapa do processo conhecida como “pronúncia” em que os parlamentares decidem se a denúncia contra Dilma é ou não procedente e se deve ou não ser levada a julgamento final. Nesta parte intermediária do processo, a comissão realiza diligências, coleta provas e ouve testemunhas de defesa e de acusação para, depois, elaborar um relatório sobre a denúncia.

“O fato é certo: quando se votou a admissibilidade do pedido de impeachment, já se tratou em grande medida do mérito da matéria. Tanto que o ferimento à Lei de Responsabilidade Fiscal e aos dispositivos constitucionais já foi discutido e justificado”, destacou Agripino.