A vereadora Brisa reuniu, nesta quarta-feira (28), estudantes, usuários do transporte público, especialistas em mobilidade urbana e representantes do setor em audiência pública realizada no IFRN Zona Norte para discutir os impactos da crise do sistema de ônibus na vida da população da Zona Norte de Natal.
A audiência debateu o agravamento da precarização do transporte coletivo após a pandemia, com redução de linhas, diminuição da frota, aumento do tempo de espera e superlotação dos ônibus. Usuários relataram dificuldades enfrentadas diariamente para chegar ao trabalho, à escola e aos serviços de saúde, além da insegurança provocada pela ausência de estrutura adequada nas paradas.
O debate destacou que a Zona Norte concentra uma das maiores dependências do transporte público em Natal. Antes da pandemia, as linhas da região transportavam cerca de 3,27 milhões de passageiros por mês. Atualmente, moradores convivem com deslocamentos longos e imprevisíveis para acessar empregos e serviços concentrados em outras áreas da cidade.
Durante a audiência, Brisa afirmou que o debate sobre transporte precisa considerar as desigualdades territoriais de Natal e os impactos diretos sobre a população trabalhadora.
“É a população periférica que passa horas dentro do ônibus todos os dias. O trabalhador paga não só a tarifa, mas também com tempo de vida, cansaço e perda de convivência familiar. A crise do transporte atinge diretamente quem mais depende dele”, afirmou a vereadora.
Outro ponto discutido foi a insuficiência do transporte noturno na capital. Atualmente, Natal conta com apenas quatro linhas corujão em operação diária, cenário que afeta principalmente trabalhadores de hospitais, shopping centers e do setor de serviços.
Os participantes também debateram a demora histórica na realização da licitação definitiva do transporte público em Natal. A própria Prefeitura reconhece a insuficiência do sistema atual ao prever, na nova proposta de licitação, a ampliação de 54 para 85 linhas e o aumento da frota de 350 para 424 ônibus.
Ao final da audiência, participantes defenderam ampliação das linhas e garantia de investimentos estruturantes para assegurar o direito à mobilidade da população da Zona Norte.
