Enquanto as maiores cidades potiguares travam uma disputa por “grifes” nacionais de cachês milionários, a capital do Caicó decidiu trilhar o caminho inverso e colheu resultados históricos em 2025.
Dados consolidados do Painel Festejos do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte (TCE-RN) revelam que Caicó é a cidade que destina o maior percentual de seus recursos para artistas do Rio Grande do Norte: impressionantes 65% do orçamento total de eventos. Apodi (48%) e Assu (42%) se destacam como Prefeituras que destinam as verbas acima da média estadual de 30%.
O modelo caicoense contrasta drasticamente com o de Mossoró, onde apenas 28% da verba chega às mãos de potiguares, e o de Natal, que mantém 34% de retenção local.
O Ranking da Valorização (Investimento em Talentos do RN)
| Município | % da Verba para Locais | Retenção do Dinheiro |
| 1º Caicó | 65% | Máxima (O dinheiro fica no RN) |
| 2º Apodi | 48% | Alta (Foco no Carnaval de rua) |
| 3º Assú | 42% | Equilibrada (Polo regional) |
| 4º Natal | 34% | Moderada (Dispersão em polos) |
| 5º Mossoró | 28% | Baixa (Exportação de divisas) |
O Bloco é o Artista
A eficiência de Caicó reside em uma mudança de paradigma: em vez de “comprar” o turista através de uma atração nacional de R$ 1 milhão, a cidade investe na experiência cultural.
No Carnaval de 2025, o protagonismo foi das orquestras de frevo e dos blocos como o Magão e o Treme-Treme. Ao contratar músicos locais e bandas regionais como Circuito Musical e Banda Grafith, a prefeitura garante que o investimento circule diretamente na economia do Seridó e do estado.
Custo-Benefício
Essa política de valorização reflete diretamente no Custo de Aquisição de Turista. Em 2025, Caicó gastou apenas R$ 19,00 em shows para cada visitante que entrou na cidade. Para efeito de comparação, Mossoró gastou R$ 64,25 por turista para sustentar sua grade nacional.
O resultado é um ciclo econômico virtuoso: o gasto médio do turista em Caicó (R$ 320,00) é quase inteiramente convertido em lucro para o comércio local, já que a prefeitura não precisou “exportar” milhões para escritórios de artistas de fora do estado.
