As 11 eleições realizadas para o Governo do Rio Grande do Norte entre 1982 e 2022 ajudam a contar quatro décadas da história política potiguar. O período começa com a vitória de José Agripino Maia sobre Aluízio Alves e termina, até aqui, com a reeleição de Fátima Bezerra no primeiro turno em 2022.
Nesse intervalo, sete políticos diferentes foram escolhidos nas urnas para governar o Estado: José Agripino Maia, Geraldo Melo, Garibaldi Alves Filho, Wilma de Faria, Rosalba Ciarlini, Robinson Faria e Fátima Bezerra.
A eleição de 1982 marcou a retomada da escolha direta para o Governo do Estado. José Agripino Maia, então no PDS, derrotou Aluízio Alves, do PMDB, por 389.924 a 283.572 votos.
Quatro anos depois ocorreu uma das disputas mais apertadas da história potiguar. Geraldo Melo, do PMDB, conquistou 464.559 votos contra 450.488 de João Faustino, diferença de apenas 14.071 votos.
Agripino retornaria ao governo em 1990. Ele liderou o primeiro turno com 48,11% e enfrentou Lavoisier Maia no segundo. Na votação definitiva, venceu por 525.229 a 483.067 votos.
Garibaldi inicia ciclo de reeleições
Em 1994, Garibaldi Alves Filho conquistou o governo já no primeiro turno. Foram 489.765 votos, correspondentes a 52,67% dos válidos, contra 359.870 de Lavoisier Maia.
Quatro anos depois, Garibaldi tornou-se o primeiro governador potiguar beneficiado pela possibilidade de disputar a reeleição consecutiva. Venceu novamente, com 560.682 votos e 50,17% dos válidos.
Começava ali uma característica que se repetiria nas décadas seguintes: governadores conseguindo renovar seus mandatos.
Wilma é a primeira governadora
Em 2002, Wilma de Faria liderou o primeiro turno com 37,59% e enfrentou o então governador Fernando Freire no segundo.
A votação final foi bastante ampla: 820.541 votos para Wilma, ou 61,05%, contra 523.614 de Freire.
A eleição seguinte foi muito mais equilibrada.
Em 2006, Wilma ficou perto de vencer no primeiro turno, quando recebeu 49,57% dos votos válidos. No segundo turno enfrentou Garibaldi Alves Filho e foi reeleita por 824.101 a 749.172 votos.
A diferença foi de 74.929 votos e ela se tornou a primeira mulher governadora.
Rosalba transforma força em Mossoró em vitória estadual
A eleição de 2010 marcou a chegada de uma liderança política de Mossoró ao Governo do Estado pelo voto direto.
Rosalba Ciarlini venceu já no primeiro turno com 813.813 votos, equivalentes a 52,52% dos válidos.
Iberê Ferreira recebeu 562.256 votos e Carlos Eduardo Alves, 160.828.
O resultado em Mossoró foi particularmente expressivo: Rosalba recebeu quase 85% dos votos válidos na cidade.
Robinson protagoniza a única virada entre os dois turnos
A eleição de 2014 apresenta uma característica singular dentro da série.
Henrique Alves terminou o primeiro turno na liderança, com 702.196 votos e 47,34%. Robinson Faria ficou em segundo, com 623.614 e 42,04%.
No segundo turno, porém, a ordem se inverteu.
Robinson alcançou 877.268 votos, ou 54,42%, contra 734.801 de Henrique.
Foi a única das eleições analisadas em que o segundo colocado do primeiro turno terminou eleito governador.
Fátima supera um milhão de votos
Em 2018, Fátima Bezerra liderou o primeiro turno com 748.150 votos e enfrentou Carlos Eduardo Alves na etapa final.
No segundo turno, Fátima chegou a 1.022.910 votos, contra 753.035 de Carlos Eduardo.
Quatro anos depois, conquistou a reeleição sem necessidade de segundo turno.
Em 2022, recebeu 1.066.496 votos. Foram 58,31% dos votos válidos, enquanto Fábio Dantas recebeu 406.461 e Styvenson Valentim, 307.330.
Dados consolidados pelo TRE-RN registram 1.828.974 votos válidos para governador naquele pleito.
Cinco eleições foram para o segundo turno
Das 11 eleições realizadas entre 1982 e 2022, seis terminaram no primeiro turno:
1982, 1986, 1994, 1998, 2010 e 2022.
Outras cinco precisaram de segundo turno:
1990, 2002, 2006, 2014 e 2018.
Entre as disputas decididas em votação única, 1986 foi a mais apertada em votos absolutos: Geraldo Melo derrotou João Faustino por somente 14.071 votos.
Já 2014 produziu a grande virada da série, com Robinson Faria saindo do segundo lugar para derrotar Henrique Alves.
Quatro nomes venceram duas vezes
Outro dado chama atenção: quatro políticos concentram oito das 11 vitórias eleitorais do período.
José Agripino venceu em 1982 e 1990; Garibaldi Alves Filho, em 1994 e 1998; Wilma de Faria, em 2002 e 2006; e Fátima Bezerra, em 2018 e 2022.
Geraldo Melo, Rosalba Ciarlini e Robinson Faria completam a lista, com uma vitória cada.
A sequência dos últimos 40 anos também registra uma profunda transformação no tamanho do eleitorado e, consequentemente, das votações absolutas.
José Agripino venceu em 1982 com 389.924 votos. Quatro décadas depois, Fátima foi reeleita com 1.066.496.
Mais que uma sequência de números, as 11 eleições mostram as mudanças na correlação de forças da política potiguar: a rivalidade entre Alves e Maia que marcou boa parte do século XX, a ascensão de Wilma de Faria, a chegada de uma liderança mossoroense ao governo com Rosalba, a vitória de Robinson sobre uma ampla aliança liderada por Henrique Alves e, mais recentemente, as duas vitórias consecutivas de Fátima Bezerra.
São 40 anos de eleições que ajudam a explicar como o mapa político do Rio Grande do Norte chegou à configuração atual.
Eleições para o Governo do RN — 1982 a 2022
1982 — José Agripino derrota Aluízio Alves
Foi a primeira eleição direta para governador depois de 17 anos de eleições indiretas. Radar do Voto
| Candidato | Partido | Votos | % válidos |
| José Agripino Maia | PDS | 389.924 | 57,58% |
| Aluízio Alves | PMDB | 283.572 | 41,88% |
| Rubens Manoel de Lemos | PT | 3.207 | 0,47% |
| Vicente Cabral de Brito | PTB | 441 | 0,07% |
Eleito: José Agripino Maia. Wikipédia
1986 — Geraldo Melo vence João Faustino
| Candidato | Partido | Votos | % válidos |
| Geraldo Melo | PMDB | 464.559 | 50,11% |
| João Faustino | PFL | 450.488 | 48,59% |
| Aldo Tinoco | PDT | 6.700 | 0,72% |
| Sebastião Carneiro | PT | 5.293 | 0,57% |
Eleito: Geraldo Melo.
A diferença foi de apenas 14.071 votos. Radar do Voto
1990 — José Agripino volta ao governo
1º turno
| Candidato | Partido | Votos | % válidos |
| José Agripino Maia | PDS | 454.528 | 48,11% |
| Lavoisier Maia | PDT | 372.301 | 39,41% |
| Salomão Gurgel | PT | 103.616 | 10,97% |
| Ana Catarina | PTR | 14.343 | 1,52% |
Comparecimento: 1.141.250; válidos: 944.788; brancos: 83.667; nulos: 112.795. Wikipédia
2º turno
| Candidato | Votos | % |
| José Agripino Maia | 525.229 | 52,09% |
| Lavoisier Maia | 483.067 | 47,91% |
Eleito: José Agripino.
Comparecimento: 1.108.573; válidos: 1.008.296; brancos: 21.885; nulos: 78.392. Wikipédia
1994 — Garibaldi vence no primeiro turno
| Candidato | Partido | Votos | % válidos |
| Garibaldi Alves Filho | PMDB | 489.765 | 52,67% |
| Lavoisier Maia | PDT | 359.870 | 38,70% |
| Fernando Wanderley | PT | 44.596 | 4,80% |
| Wilma de Faria | PSB | 35.591 | 3,83% |
Eleito: Garibaldi Alves Filho.
O registro histórico oficial do TSE informa 1.254.124 votos apurados, 222.165 brancos, 102.137 nulos, 929.822 válidos e 236.988 abstenções/não totalizados. Tribunal Superior Eleitoral
1998 — Garibaldi é reeleito
| Candidato | Partido | Votos | % válidos |
| Garibaldi Alves Filho | PMDB | 560.682 | 50,17% |
| José Agripino Maia | PFL | 462.177 | 41,36% |
| Manoel Duarte (“Manu”) | PT | 75.164 | 6,73% |
| Dário Barbosa | PSTU | 8.124 | 0,73% |
| Roberto Ronconi | PSN | 6.538 | 0,59% |
| Marcônio Cruz | PSC | 4.865 | 0,44% |
Eleito: Garibaldi Alves Filho.
Eleitorado: 1.728.975; comparecimento: 1.399.620; abstenções: 329.355; válidos: 1.117.550; brancos: 169.168; nulos: 112.902. Radar do Voto
2002 — Wilma derrota Fernando Freire
1º turno
| Candidato | Partido | Votos | % |
| Wilma de Faria | PSB | 492.756 | 37,59% |
| Fernando Freire | PPB | 404.865 | 30,89% |
| Fernando Bezerra | PTB | 261.225 | 19,93% |
| Ruy Pereira | PT | 147.380 | 11,24% |
| Sônia Godeiro | PSTU | 2.392 | 0,18% |
| Marcônio Cruz | PSC | 1.498 | 0,11% |
| Roberto Ronconi | PSDC | 614 | 0,05% |
Eleitorado: 1.917.382; comparecimento: 1.579.867; válidos: 1.310.730; brancos: 65.661; nulos: 203.476; abstenções: 337.515. Radar do Voto
2º turno
| Candidato | Votos | % |
| Wilma de Faria | 820.541 | 61,05% |
| Fernando Freire | 523.614 | 38,95% |
Eleita: Wilma de Faria.
No segundo turno foram 1.344.155 votos válidos, 30.131 brancos, 146.313 nulos e 396.783 abstenções. Radar do Voto
2006 — Wilma vence Garibaldi
1º turno
| Candidato | Partido | Votos | % |
| Wilma de Faria | PSB | 764.016 | 49,57% |
| Garibaldi Alves Filho | PMDB | 749.003 | 48,60% |
| Sandro Pimentel | PSOL | 14.172 | 0,92% |
| José Geraldo Forte | PSL | 5.907 | 0,38% |
| Xêque Humberto | PTC | 5.582 | 0,36% |
| Zé Bezerra | PCB | 2.470 | 0,16% |
Wilma ficou a apenas 0,43 ponto percentual de liquidar a disputa no primeiro turno. Foram 1.541.150 votos válidos. Radar do Voto
2º turno
| Candidato | Votos | % |
| Wilma de Faria | 824.101 | 52,38% |
| Garibaldi Alves Filho | 749.172 | 47,62% |
Eleita: Wilma de Faria.
Comparecimento: 1.749.638; válidos: 1.573.273; brancos: 21.307; nulos: 154.542; abstenções: 351.506. Radar do Voto
2010 — Rosalba vence no primeiro turno
| Candidato | Partido | Votos | % |
| Rosalba Ciarlini | DEM | 813.813 | 52,52% |
| Iberê Ferreira | PSB | 562.256 | 36,29% |
| Carlos Eduardo Alves | PDT | 160.828 | 10,38% |
| Sandro Pimentel | PSOL | 10.520 | 0,68% |
| Camarada Leto | PCB | 2.078 | 0,13% |
Eleita: Rosalba Ciarlini.
Eleitorado: 2.245.135; comparecimento: 1.877.681; válidos: 1.549.495; brancos: 103.978; nulos: 224.208; abstenções: 367.434. Radar do Voto
2014 — Robinson vira contra Henrique
1º turno
| Candidato | Partido | Votos | % |
| Henrique Alves | PMDB | 702.196 | 47,34% |
| Robinson Faria | PSD | 623.614 | 42,04% |
| Robério Paulino | PSOL | 129.616 | 8,74% |
| Simone Dutra | PSTU | 14.549 | 0,98% |
| Araken Farias | PSL | 13.396 | 0,90% |
Henrique terminou o primeiro turno 78.582 votos à frente de Robinson. Foram 1.483.371 votos válidos. Radar do Voto
2º turno
| Candidato | Votos | % |
| Robinson Faria | 877.268 | 54,42% |
| Henrique Alves | 734.801 | 45,58% |
Eleito: Robinson Faria.
Robinson transformou uma desvantagem de 78.582 votos no primeiro turno em uma vantagem de 142.467 votos no segundo. Neste turno houve 1.612.069 votos válidos, 58.770 brancos, 244.893 nulos e 410.927 abstenções. Radar do Voto
2018 — Fátima vence Carlos Eduardo
1º turno
| Candidato | Partido | Votos | % |
| Fátima Bezerra | PT | 748.150 | 46,17% |
| Carlos Eduardo Alves | PDT | 525.933 | 32,45% |
| Robinson Faria | PSD | 192.037 | 11,85% |
| Brenno Queiroga | Solidariedade | 106.345 | 6,56% |
| Carlos Alberto | PSOL | 31.306 | 1,93% |
| Freitas Jr. | Rede | 9.067 | 0,56% |
| Heró Bezerra | PRTB | 4.327 | 0,27% |
| Dário Barbosa | PSTU | 3.379 | 0,21% |
Comparecimento: 1.966.450; válidos: 1.620.544; brancos: 86.111; nulos: 259.795; abstenções: 406.098. Radar do Voto
2º turno
| Candidato | Votos | % |
| Fátima Bezerra | 1.022.910 | 57,60% |
| Carlos Eduardo Alves | 753.035 | 42,40% |
Eleita: Fátima Bezerra.
Foram 1.775.945 votos válidos, 34.072 brancos, 132.179 nulos e 430.383 abstenções. Radar do Voto
2022 — Fátima é reeleita no primeiro turno
| Candidato | Partido | Votos | % |
| Fátima Bezerra | PT | 1.066.496 | 58,31% |
| Fábio Dantas | Solidariedade | 406.461 | 22,22% |
| Capitão Styvenson | Podemos | 307.330 | 16,80% |
| Clorisa Linhares | PMB | 39.011 | 2,13% |
| Danniel Morais | PSOL | 3.691 | 0,20% |
| Rosália Fernandes | PSTU | 2.437 | 0,13% |
| Nazareno Neris | PMN | 1.325 | 0,07% |
| Bento | PRTB | 1.178 | 0,06% |
| Rodrigo Vieira | DC | 1.045 | 0,06% |
Eleita: Fátima Bezerra.
Eleitorado: 2.550.291; comparecimento: 2.086.722; válidos: 1.828.974; brancos: 95.721; nulos: 162.027; abstenções: 463.569.
