Por Isolda Dantas*
Meu segundo dia de campanha aqui em Mossoró foi inteiramente dedicado à UERN. Com nossa militância na portaria, fiz panfletagem, bandeiraço e reencontrei muita gente querida de lutas antigas e novas em defesa da nossa Universidade do Estado. Quando as aulas começaram, aproveitei para entrar e tomar um café na convivência. Andando pela UERN, me emocionei. Lembrei da jovem Isolda, vinda da zona rural, entrando naquele mundo que é a universidade. A filha de agricultor estava no ensino superior, aluna do PETI de Ciências Sociais. Como diz a juventude de hoje: papo de um dos meus melhores sonhos. Sem a UERN, nada disso teria sido possível. E é justamente por histórias como essa que defender a UERN não é defender apenas uma instituição. É defender a possibilidade de mudança na vida de milhares de potiguares.
No ano passado, mais de 60 mil diplomas já haviam sido expedidos pela UERN. Não existe praticamente nenhum município potiguar que não tenha um profissional formado pela nossa gigante. É a interiorização do ensino superior garantida pela UERN que permite que filhos e filhas da classe trabalhadora do nosso estado possam sonhar, estudar e transformar suas próprias vidas e as comunidades onde vivem. A UERN é investimento em educação, ciência, desenvolvimento e, sobretudo, em futuro. E isso não tem preço. É inegociável.
Olhar para a UERN das últimas conquistas do governo Fátima me traz um sentimento de pertencimento e gratidão. Mas também de alerta. Porque quem vive a UERN nos últimos oito anos talvez não consiga dimensionar o tamanho da crise que enfrentamos em um passado não tão distante. Durante o governo Robinson Faria, a UERN viveu alguns de seus períodos mais duros. Foram tempos de desvalorização, sucateamento e ataques à própria ideia de universidade pública. Na ordem do dia: a privatização. Em 2017, foram mais de 100 dias de greve para que parte dos direitos reivindicados pelos servidores fosse atendida. O movimento ocupou a Governadoria e enfrentou, inclusive, repressão com spray de pimenta.
No governo Robinson, além dos atrasos salariais, o orçamento da UERN encontrava portas fechadas. Professores faziam cotas para comprar materiais básicos, vendiam seus próprios bens para conseguir se manter e continuar dando aula, tentando sustentar o insustentável. E os estudantes, como eu, filhos e filhas da classe trabalhadora, que sonhavam estudar viviam um pesadelo. A UERN permaneceu de pé porque houve luta. Professores, estudantes, técnicos e toda a comunidade uerniana se organizaram para defender aquilo que sabiam ser maior do que qualquer governo: o direito de o Rio Grande do Norte ter uma universidade pública, gratuita, estadual e de qualidade.
Tudo isso começou a mudar quando a professora Fátima foi eleita e colocou a UERN como prioridade. E esse compromisso não ficou apenas nas palavras. Virou ação concreta. Pagou as folhas deixadas em atraso pelo governo Robinson, encaminhou conquistas históricas para a Universidade: o fim da lista tríplice, garantindo à comunidade uerniana o direito de escolher seus representantes; a autonomia financeira, fundamental para o planejamento das condições de ensino, pesquisa e extensão; e o Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração de docentes e técnicos, que não representa apenas uma questão salarial, mas uma política de valorização dos servidores e de fortalecimento institucional da Universidade.
É impossível olhar para nossa UERN de hoje sem lembrar da Isolda estudante que chegou da zona rural, que foi presidente do Diretório Central dos Estudantes e que participou das mobilizações em defesa da UERN durante os anos difíceis do governo Robinson, enquanto vereadora de Mossoró e, depois, na Assembleia Legislativa. Lá, ao lado de Fátima, da ADUERN, do SINTAUERN e, principalmente, da comunidade universitária, participei da construção de conquistas que pareciam tão distantes. E isso me orgulha muito.
Quando falamos sobre o futuro da UERN, não estamos falando de uma questão abstrata. Estamos falando de uma história de luta e de uma escolha sobre que universidade queremos para o Rio Grande do Norte.
Em maio deste ano, talvez em um ato falho, um dos candidatos ao governo do Estado, Álvaro Dias, afirmou em entrevista que: “federalização, privatização, são questões que precisam ser melhor estudadas”. A declaração deixou em aberto uma questão fundamental: qual é, afinal, o compromisso com o futuro da UERN?
Ao longo dos anos, não foram poucas as vezes em que ouvimos setores da oposição tratarem a UERN como um gasto elevado. Na mídia da extrema-direita, também é recorrente a tentativa de apresentar a Universidade como um peso para os cofres públicos. Mas essa visão ignora aquilo que ela efetivamente representa: Desenvolvimento científico, econômico e social com a interiorização do ensino superior. E, acima de tudo, uma máquina de realizar sonhos de filhos e filhas da classe trabalhadora.
Depois da fala de Álvaro Dias, o também candidato ao governo e ex-prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, veio a público afirmar que defende a UERN. Mas é preciso olhar para além do discurso. O Programa Incluir, criado durante sua gestão à frente da Prefeitura de Mossoró, levantou questionamentos justamente sobre a valorização dos estudantes e da formação oferecida pela UERN. Enquanto a universidade pública do Estado forma e qualifica jovens mossoroenses para atuar na educação, a Prefeitura não colocou esses estudantes no centro dessa política. É preciso coerência: não basta declarar apoio à UERN quando ela está no discurso eleitoral. É preciso demonstrar, nas escolhas de governo, que a universidade pública e seus estudantes são prioridade.
Mas há ainda uma questão política que não pode ser ignorada. Quem está no palanque de Allyson é Robinson Faria, aquele que massacrou a UERN. Assim, Allyson Bezerra é Allyson de Robinson Faria. E isso não é pouca coisa. É estar no mesmo campo político daqueles que protagonizaram um dos períodos mais difíceis da história recente da nossa Universidade.
Do outro lado, temos Cadu, candidato da professora Fátima e de Lula. Como secretário da Fazenda, foi parte importante do processo que permitiu o pagamento das folhas em atraso e a reorganização financeira do Estado. Agora, assume o compromisso de dar continuidade a um legado que inclui a valorização e o fortalecimento da UERN. E é aqui que me encontro. A Isolda que entrou na UERN vinda da zona rural que se formou, lutou e hoje celebra conquistas é a mesma que segue firme em sua defesa.
A UERN de hoje é resultado de luta. E o seu futuro também será. Por isso, defender a UERN é defender sua autonomia, sua estadualização, sua gratuidade, seus servidores, seus estudantes e sua capacidade de continuar transformando vidas em todo o Rio Grande do Norte. Defender a UERN é estar do lado de quem realmente acredita que educação pública é investimento, que universidade é desenvolvimento e que o futuro do RN não pode ser colocado à venda. Defender a UERN é estar do lado de quem realmente defende e cuida do Rio Grande do Norte. Cuidemos!
*É deputada estadual e professora graduada na Uern.
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