“Se não tivesse MOSSORÓ não tinha as outras. (…) MOSSORÓ hoje se ela lhe pagasse quinhentos mil você ia achar graça no dinheiro. (…) Pronto, o pulmão enchia de ar.”
A frase é de Raimundo Wandecy Campelo Gurgel, conhecido “Nenén”, ex-sócio da Dismed, em diálogo com Oseas Monthalggan Fernandes Costa, sócio-administrador da empresa pivô da Operação Mederi.
A conversa foi revelada ontem em reportagem do Blog do Dina e revela a gestão do ex-prefeito Allyson Bezerra (UB) como epicentro do esquema de corrupção que parou o país em 27 de janeiro com a Operação Mederi.
Na conversa, os dois chegam a conclusão de que só ganham outras licitações graças ao esquema de Mossoró que lhes rendem boas quantias em propinas.
Numa comparação é como se a Prefeitura de Mossoró tivesse transformado a Dismed numa espécie de “Banco Master”, que ficou famoso por liderar a maior fraude financeira do país envolvendo políticos e tendo como protagonista o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Com o lucro das propinas em Mossoró, eles conseguiram ganhar licitações em outras cidades. “Tá dando volume pra gente ganhar nos outros canto. Tá dando volume pra nós comprar uma coisa lá que [inaudível] de seis centavos, cinco, hoje eu compro de quatro.”, diz Neném em um dos trechos da captação da Polícia Federal captada pelo Blog do Dina.
Para se ter ideia do peso de Mossoró a soma dos contratos da Dismed com Serra do Mel, José da Penha, Apodi, Paraú e Pau dos Ferros é de R$ 9,2 milhões e enquanto Mossoró totalizou R$ 13,5 milhões, R$ 4,29 milhões a mais.
Trocando em miúdos, a Dismed na gestão de Allyson, pelo que dizem os diálogos era o “Banco Master” por onde passava o dinheiro que se distribuía em propinas como a citada no famoso “diálogo da matemática de Mossoró” e chegava nas mãos dos políticos.
Monthalgann funcionava como o “Daniel Vorcaro” potiguar.
