Domingo, dia de futebol: “Ave, Pelé”

Por Gustavo Azevedo

Como medir a genialidade de um jogador de futebol? Somente pelos seus gols e seus títulos ou pelos seus feitos fora de campo? E por que não os dois? Se somarmos tudo que Pelé fez dentro e fora das quatro linhas, chegaremos a mesma conclusão que o craque húngaro Puskas chegou: “O maior jogador de futebol do mundo foi Di Stéfano. Eu me recuso a classificar Pelé como jogador. Ele está a cima de tudo”. Vez em quando aparece um “entendido” de futebol para dizer que algum outro jogador foi melhor que Pelé. O Atleta do Século, eleito por votação pela revista francesa L’Equipe, em 1980, está muito além de “apenas” ser o maior craque que já passou  pelos campos de futebol. Ele ser confrontado com outras lendas da estirpe de Muhamad Ali, o nadador Mark Spitz (nove medalhas de ouro em uma mesma Olimpíada) e Jesse Owens (atleta negro que calou Hitler em Berlim, nas Olimpíadas de 1934) é a prova da transcendência, além-gramados, do Rei.

Seria muito fácil justificar essa genialidade com os 1.281 gols que marcou na carreira, em 1.375 jogos. Mas esse mineiro, nascido em Três Corações e criado em Bauru/SP, e que vestiu a camisa alvinegra do Santos e a alviverde do Cosmos, fez coisas extraordinárias em sua caminhada esportiva. Parar, momentaneamente, uma guerra no Congo Belga em 1969, para que a torcida local pudesse prestigia-lo. Um ano antes, em um jogo amistoso na Colômbia, o árbitro colombiano Guillermo Velasquez (conhecido como El Chato), deu cartão vermelho a Pelé e foi literalmente expulso de campo pelo clamor popular da torcida enfurecida que reconduziu o Rei ao jogo. O gol mágico que marcou no Maracanã, contra o Fluminense pelo torneio Rio-São Paulo de 1961, driblando seis jogadores, que garantiu a famosa placa comemorativa e eternizada pela expressão “Gol de Placa“, assim como, o milésimo gol marcado no Vasco da Gama, do excelente goleiro Andrada, em 69 e oferecer as crianças do Brasil.

Transcender os gramados para justificar ser o atleta que ele foi, se explica ainda mais em março de 1966. O diário londrino “The Observer” publica uma foto de Pelé com o Papa Paulo VI, tirada no encontro do Rei do futebol com o sumo pontífice na biblioteca do Vaticano. Acima da imagem, os dizeres: “Em Roma, o maior jogador do mundo, Pelé, e um fã”. Portanto, não adianta tentar comparar esse ou aquele jogador com Pelé, o que Maradona (que era um craque) fez de extraordinário para ganhar essa comparação, ou até mesmo, Messi? O que muitos tentam e nunca conseguirão é renovar essa genialidade, por não suportar a idéia de eternização de um atleta que foi gênio dentro e muito mais fora dos gramados. Ave Pelé!

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