Por Jean Paul Prates*
A política do Rio Grande do Norte volta a flertar, em 2026, com uma velha tentação: vender como “novo” aquilo que, na prática, recicla antigos arranjos de poder.
O prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, construiu sua trajetória apoiado em políticas públicas de educação, como o IFRN, e venceu, em 2020, uma oligarquia local. Foi um feito relevante. Representou, naquele momento, uma ruptura.
A partir de 2023, Allyson se integrou ao campo liderado por José Agripino Maia, filiando-se ao União Brasil e passando a orbitar o núcleo mais tradicional da política potiguar. O “menino que venceu o coronelismo” passou, progressivamente, a conviver confortavelmente com ele.
Hoje, seu palanque reúne setores historicamente dominantes no Estado.
Diante disso, soa contraditório sustentar o discurso de “perseguição dos poderosos”. Apoiado pelas principais famílias políticas do RN, Allyson não é vítima do sistema, é parte dele.
Mais recentemente, investigações da Polícia Federal sobre contratos na área da Saúde trouxeram um novo elemento de preocupação. Ainda há direito à defesa e à presunção de inocência. Mas investigação não pode ser convertida em marketing político nem em instrumento de vitimização.
De outro lado, setores da direita bolsonarista também apresentam candidaturas marcadas por controvérsias e decisões administrativas questionáveis.
Enquanto isso, o governo de Fátima Bezerra, com apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segue sendo rotulado como “ingovernável”, apesar de apresentar, em tudo, indicadores melhores que as gestões anteriores.
O eleitor não pode ser colocado diante de falsas escolhas. O desafio de 2026 é simples e profundo: escolher entre aparência e realidade. Entre marketing e projeto. Entre acordões e compromisso com o desenvolvimento.
O Rio Grande do Norte precisa menos de salvadores da pátria e mais de governantes responsáveis e honestos.
*Foi Senador da República (2019-2023) e Presidente da Petrobras (2023-2024).
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