O deputado federal General Girão (PL) tornou-se uma exceção na bancada do Rio Grande do Norte quando o assunto é a trama golpista que culminou no 8 de janeiro. Até este início de 2026, ele permanece como o único político potiguar com mandato a ser formalmente sentenciado pela Justiça por incentivar a trama que resultou na invasão das sedes dos Três Poderes, em Brasília.
Embora outros nomes da política local tenham sido alvo de questionamentos ou investigações preliminares, nenhum enfrentou o desfecho sofrido por Girão. A condenação, proferida pela Justiça Federal do RN, impôs ao parlamentar uma indenização de R$ 2 milhões por danos morais coletivos.
Enquanto outros parlamentares que demonstraram apoio aos acampamentos conseguiram se manter no campo da “opinião política” sem sanções judiciais, o Judiciário entendeu que a conduta de Girão ultrapassou essa barreira.
Por que apenas ele?
A sentença que isolou o General Girão baseou-se em três pilares fundamentais que a Justiça não encontrou com a mesma intensidade em outros políticos do estado:
- Liderança de Campo: O deputado foi identificado como o principal articulador político dos acampamentos em Natal. Diferente de outros que apenas visitaram os locais, Girão era visto como uma autoridade técnica e moral que validava a permanência dos manifestantes em frente ao 16º BI.
- Uso Institucional do Mandato: A justiça concluiu que ele utilizou a estrutura e o alcance de seu cargo público para “fomentar a animosidade entre as Forças Armadas e as instituições civis”, um agravante que não foi aplicado a outros nomes da direita potiguar.
- Persistência da Narrativa: Mesmo após o 8 de janeiro, o parlamentar manteve postagens que questionavam o processo democrático, o que serviu de base para a fixação de uma multa severa como medida educativa e punitiva.
O Impacto Político
O fato de Girão ser o único condenado cria um cenário político complexo para 2026.
A defesa do parlamentar continua a sustentar que ele está sendo “sacrificado” judicialmente para servir de exemplo, alegando que sua conduta não foi diferente da de outros congressistas. No entanto, para a Justiça Federal, as evidências colhidas — que incluem posts, vídeos em acampamentos e discursos — foram suficientes para isolar o General como o único responsável político do RN pelo clima golpista.
