Indicado pela Marcha Mundial das Mulheres, assentamento rural de Mossoró inaugura a primeira Lavanderia Coletiva Agroecológica da América Latina

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No próximo dia 13 de abril, às 15h, o Assentamento Mulunguzinho, localizado na zona rural de Mossoró (RN), sediará a inauguração da primeira unidade pedagógica do Projeto Lavanderias Coletivas e Agroecológicas: mulheres camponesas construindo tecnologias sociais e práticas sustentáveis. A iniciativa marca a implantação do projeto piloto no Nordeste e representa a criação das primeiras lavanderias ecológicas coletivas estruturadas como política pública no Brasil.

O projeto é fruto de uma articulação entre a Marcha Mundial das Mulheres, a Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), a Fundação Guimarães Duque (FGD), o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar e o Governo Federal, reunindo movimento feminista, universidade e poder público na construção de uma tecnologia social voltada à sustentabilidade e à autonomia das mulheres do campo.

O evento contará com a presença da nova ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, além de autoridades estaduais, como o secretário estadual da SEDRAF, Alexandre Lima, e a deputada estadual Isolda Dantas. Também participarão representantes de movimentos sociais, da universidade federal, entre eles o vice-reitor da UFERSA, Nildo Dias, além de lideranças locais.

Durante a solenidade, serão entregues comendas a personalidades que contribuíram para a consolidação da iniciativa e haverá homenagem à feminista Nalu Faria, referência histórica na luta pela divisão do trabalho do cuidado e da Marcha Mundial das Mulheres, movimento que indicou o grupo de mulheres do Mulunguzinho para integrar o projeto piloto.

A proposta prevê a instalação de máquinas de lavar industriais para uso coletivo em assentamentos da reforma agrária, associadas a um sistema integrado de geração de energia solar e a uma estação de tratamento e reuso de água. A água utilizada nas lavagens será reaproveitada na produção agroecológica local, incluindo pomares e hortas, promovendo sustentabilidade ambiental, autonomia econômica e fortalecimento da segurança produtiva para essas mulheres.

No Rio Grande do Norte, serão implantadas quatro unidades: além do Mulunguzinho, em Mossoró; no Assentamento Arizona, em São Miguel do Gostoso; na Agrovila Tabuleiro Alto (Santa Maria), em Ipanguaçu; e no Assentamento Lagoa Nova, em Riachuelo. Ao todo, 162 mulheres participarão diretamente da autogestão das lavanderias, com impacto estimado em pelo menos 400 famílias beneficiadas no estado.

No Mulunguzinho, o grupo de mulheres ‘Decididas a Vencer’, fundado em 1997, assumirá a gestão da unidade. A iniciativa integra um conjunto de tecnologias sociais que devem e poderão ser usadas por toda a comunidade.

Além da dimensão tecnológica, o projeto dialoga diretamente com o debate sobre a divisão sexual e racial do trabalho e a sobrecarga do trabalho doméstico sobre as mulheres, especialmente as rurais. A proposta contribui para a formulação de políticas públicas voltadas à socialização do trabalho de cuidado, reafirmando seu reconhecimento como responsabilidade do Estado e dos homens e ampliando as condições para o protagonismo das mulheres nas comunidades rurais.

A inauguração em Mossoró consolida o início da implementação do projeto piloto no Brasil e insere o Rio Grande do Norte como referência nacional na construção de políticas públicas transformadoras voltadas ao bem-viver, especialmente das mulheres do campo. É uma experiência que calça o chão para que as lavanderias agroecológicas e coletivas se tornem uma política pública para todas as pessoas.