Investigado admite ter guardado R$ 2 milhões em apartamento: “Eu fiquei com o c* que não passava um cabelo”

Moabe admite ter guardado R$ 2 milhões em um apartamento (Foto: reprodução)

O ex-vice-prefeito de Serra do Mel José Moabe Zacarias Soares (PSD) em diálogo interceptado pela Polícia Federal admitiu ao empresário Oseas Monthalggan que guardou R$ 2 milhões em um apartamento localizado em Natal pertencente a Aldo Araújo da Silva, controlador geral adjunto do município e sogro de Moabe.

A conversa está em um contexto em que eles planejam guardar dinheiro para a campanha para o Governo do Estado do prefeito de Mossoró Allyson Bezerra (UB), mas os recursos pelo que dão a entender são relacionados ao esquema em outra cidade, provavelmente Serra do Mel.

No diálogo, Oseas diz ser necessário juntar dinheiro aos poucos para “ganhar moral com o homem” que “está disparado” quando ele chegar ao Governo.

Em seguida eles falam sobre os riscos da operação quando Moabe dispara relatando a vivência anterior: “Eu vou dizer a você, é arriscado! Aquele de ALDO (?) eu guardei no apartamento de ALDO quase dois contos (dois milhões). Você está entendendo? Eu fiquei com o cu que não passava um cabelo. Você está entendendo? Mas aquele negócio, um cara desse aí que tem vinte, trinta conto. Ele tem guardado isso aí, ele tem guardado, ele tem. É doido, ele não dá nada a ninguém!”.

O diálogo ainda especula como ficarão as coisas quando o vice-prefeito Marcos Medeiros (PSD) assumir a Prefeitura de Mossoró quando Allyson sair para o Governo. Eles afirmam que o pessedista “não tem moral 100%”.

Moabe e Oseas são sócios da Dismed e nas investigações travaram o diálogo mais famoso da Operação Mederi, que trata da “Matemática de Mossoró” em que discutem o pagamento de propina a Allyson no valor de 15% diante de uma ordem de pagamento de R$ 400 mil.

A empresa Dismed, como revelou ontem o Blog do Barreto, aumentou o volume de valores recebidos da Prefeitura de Mossoró em 375% entre 2022 e 2025, totalizando R$ 14,8 milhões em três anos.

Foi com Oseas que a Polícia Federal encontrou um valor estimado em 250 mil em espécie (a defesa fala em R$ 52 mil) dentro de uma caixa de isopor.

Oseas e Moabe estão entre os investigados que passaram a usar tornozeleira eletrônica.