A deputada estadual e candidata à reeleição Isolda Dantas (PT) fez uma crítica direta à postura de políticos que evitam assumir posição na disputa presidencial. Sem mencionar Allyson Bezerra (União Brasil) nominalmente, a petista alfinetou quem afirma “não ser de lado nenhum” e advertiu os eleitores contra candidatos que, segundo ela, ficam “em cima do muro”.
A declaração dialoga diretamente com a estratégia adotada por Allyson na eleição de 2026. Candidato ao Governo do Rio Grande do Norte, o ex-prefeito de Mossoró tem sustentado uma posição de neutralidade na disputa nacional, evitando associação direta tanto com o presidente Lula (PT) quanto com o candidato do PL à Presidência.
Durante o discurso, Isolda inicialmente ironizou candidatos que, embora estejam alinhados a um campo político, evitam explicitar essa vinculação na campanha.
“Eu sei que tem um monte de gente aí que é do outro lado e não tem coragem de botar na chapinha deles o número do presidente deles”, afirmou.
Na sequência, fez uma crítica ainda mais contundente àqueles que se apresentam como neutros.
“E tem outro que diz que não é de lado nenhum, esse é pior ainda! Porque vocês não confiem em político que não tem a posição, que fica em cima do muro. Porque depois que termina a eleição, ele encontra direitinho o lado do muro para ficar. E geralmente não é o lado do povo!”, declarou.
Embora Allyson não seja citado pelo nome nesse trecho do discurso, a crítica ocorre num cenário em que sua neutralidade presidencial se tornou uma característica pública de sua campanha ao Governo. Em entrevista à Folha de S.Paulo, ele afirmou: “Eu não tenho dificuldade de governar com nenhum presidente. Já governei com Bolsonaro e sei governar com Lula”.
Segundo Isolda, um dos recados de Lula foi o apoio ao candidato petista ao Governo do Estado.
“Ele disse duas coisas. Primeiro: no Rio Grande do Norte, o candidato a governador de Lula é Cadu de Lula, é 13! É 13!”, afirmou. Em agosto, o presidente participou de ato político em Natal ao lado do candidato petista e reforçou publicamente sua candidatura ao Governo do RN.
Isolda também afirmou que Lula pediu votos para candidatos ao Legislativo alinhados ao governo.
“E o outro pedido que ele fez: ‘Se você’, ele disse desse jeito, ‘se você vota em Lula, tem que votar nos deputados de Lula’. Porque senão ele fica com as mãos atadas!”, disse.
A deputada relacionou o argumento à discussão sobre o fim da escala de trabalho 6×1 e responsabilizou parlamentares contrários à mudança pelas dificuldades de avanço da proposta.
“Vocês estão vendo aí, faz muito tempo que Lula propôs o fim da escala 6×1, pra gente trabalhar cinco dias e folgar dois. Por que que isso não foi aprovado ainda? Porque os deputados e senadores não deixaram!”, afirmou Isolda.
Crítica a Rogério Marinho
Na sequência, a petista direcionou a crítica ao senador potiguar Rogério Marinho (PL).
“E aqui no Rio Grande do Norte teve um que foi pior, o nome dele é Rogério Marinho. Ele fez de tudo e ainda tá atrapalhando para que a votação não aconteça. Mas o presidente Lula não descansa de jeito nenhum enquanto não acabar essa escala 6×1”, declarou.
Rogério Marinho se posicionou contra a proposta de fim da escala 6×1 durante a votação realizada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado no início de setembro. O senador foi um dos quatro integrantes que registraram posição contrária ao parecer aprovado pela comissão e apresentou uma proposta alternativa que mantém a possibilidade da escala 6×1. O texto que prevê seu fim ainda depende de votação no plenário do Senado.
O discurso evidencia uma das diferenças de estratégia na campanha estadual. Enquanto Isolda e Cadu Xavier procuram reforçar de maneira explícita a vinculação com Lula, Allyson tem buscado manter distância da disputa presidencial e concentrar sua campanha no cenário estadual.
Confira a fala na íntegra
