Media, Atlas e Mensury são os institutos que chegaram mais próximos do resultado do segundo turno no RN

 

A maioria dos institutos de pesquisa que divulgaram levantamentos sobre o segundo turno para o Governo do Rio Grande do Norte apontou Allyson Bezerra (UB) na liderança, mas quem venceu a eleição de 25 de outubro foi Cadu de Lula (PT), com 50,77% dos votos válidos contra 49,23% do adversário.

Um levantamento do Blog do Barreto, considerando as últimas pesquisas identificadas de 13 institutos, revela diferenças expressivas de desempenho entre as empresas. A Media/O Potengi apresentou o resultado numericamente mais próximo das urnas, seguida pela AtlasIntel e pela Mensury.

A Media/O Potengi, com entrevistas realizadas entre 19 e 23 de outubro, apontou Cadu com 50,7% e Allyson com 49,3% dos votos válidos. A diferença para o resultado oficial foi de apenas 0,07 ponto percentual para cada candidato.

A AtlasIntel ficou em segundo lugar, com diferença de 0,27 ponto percentual, seguida pela Mensury, com 0,74 ponto.

Ranking de precisão das pesquisas

O levantamento considera a diferença absoluta, em pontos percentuais, entre a votação estimada para cada candidato e o resultado das urnas. Como a disputa envolveu apenas dois candidatos, o erro absoluto é igual para ambos quando os percentuais são normalizados para votos válidos.

PosiçãoInstitutoEncerramento do campoDiferença
1ºMedia/O Potengi23/100,07 p.p.
2ºAtlasIntel23/100,27 p.p.
3ºMensury19/100,74 p.p.
4ºQuaest24/101,33 p.p.
5ºSeta24/101,47 p.p.
6ºAffare12/101,86 p.p.
7ºExatus21/102,28 p.p.
8ºDataTrends21/102,38 p.p.
9ºReal Time Big Data19/102,49 p.p.
10ºDataVero24/103,78 p.p.
11ºItem22/103,88 p.p.
12ºData Capital19/104,20 p.p.
13ºQualittá20/105,66 p.p.

Fonte: levantamento do Blog do Barreto a partir dos percentuais de votos válidos das pesquisas e do resultado eleitoral. As datas correspondem ao último dia de aplicação dos questionários.

Oito institutos apontaram o candidato derrotado na liderança

Dos 13 institutos analisados, oito apresentaram Allyson Bezerra à frente de Cadu de Lula em suas últimas pesquisas, enquanto cinco indicaram vantagem para o petista.

Isso significa que 61,5% dos levantamentos apontaram uma liderança que não se confirmou nas urnas.

A diferença mais expressiva ocorreu na pesquisa Qualittá, que projetou Allyson com 54,89% dos votos válidos e Cadu com 45,11%. O instituto apresentou uma diferença absoluta de 5,66 pontos percentuais em relação ao resultado oficial.

A Data Capital também apresentou distância considerável, com 53,43% para Allyson e 46,57% para Cadu na modalidade espontânea, uma diferença de 4,20 pontos percentuais em relação à votação efetiva.

A Item registrou erro absoluto de 3,88 pontos, enquanto a DataVero ficou em 3,78 pontos.

Pesquisa realizada na véspera não foi garantia de precisão

Um dos aspectos mais relevantes do levantamento é a relação entre a data de aplicação dos questionários e a proximidade dos números com o resultado eleitoral.

As pesquisas Quaest, Seta e DataVero encerraram seus trabalhos de campo em 24 de outubro, apenas um dia antes da eleição.

Apesar disso, apresentaram desempenhos bastante diferentes.

A Quaest teve diferença absoluta de 1,33 ponto percentual, a Seta de 1,47 ponto e a DataVero de 3,78 pontos.

Já a Mensury, cujo trabalho de campo terminou seis dias antes da eleição, apresentou diferença de apenas 0,74 ponto percentual, sendo a terceira mais próxima das urnas.

A Affare, com entrevistas encerradas 13 dias antes da votação, registrou diferença de 1,86 ponto, desempenho melhor que o de vários institutos com levantamentos mais recentes.

Esses números mostram que a antecedência da pesquisa não explica, isoladamente, sua precisão. Fatores como metodologia de coleta, seleção da amostra, ponderação dos entrevistados, tratamento dos indecisos e mudanças na preferência dos eleitores também podem influenciar os resultados.

DataVero teve mudança expressiva entre as últimas rodadas

O desempenho da DataVero chama atenção porque uma rodada anterior do instituto, realizada entre 13 e 15 de outubro, havia apresentado números muito próximos do resultado final.

Naquela ocasião, o instituto apontava Cadu com 50,53% dos votos válidos e Allyson com 49,47%, uma diferença de apenas 0,24 ponto percentual em relação às urnas.

Entretanto, na última pesquisa, divulgada no sábado, 24 de outubro, a DataVero apresentou Allyson com 53,01% e Cadu com 46,99%.

O levantamento final ficou 3,78 pontos percentuais distante do resultado oficial para cada candidato e indicou vantagem para Allyson, que acabou derrotado.

O episódio demonstra como uma pesquisa intermediária pode se aproximar mais das urnas do que a última rodada de um mesmo instituto.

O que os números revelam

Considerando os 13 institutos, o erro absoluto médio foi de aproximadamente 2,34 pontos percentuais.

O desempenho das pesquisas não foi uniforme. Enquanto Media/O Potengi e AtlasIntel praticamente reproduziram o equilíbrio observado nas urnas, outros levantamentos projetaram vantagens mais amplas para Allyson.

É importante observar que a diferença entre uma pesquisa e o resultado eleitoral não equivale necessariamente a um erro estatístico ou metodológico. As pesquisas retratam as preferências dos entrevistados no período da coleta, enquanto a votação registra as escolhas feitas no dia da eleição.

Também é necessário distinguir a capacidade de apontar corretamente o vencedor da proximidade numérica com o resultado. Quaest e Seta, por exemplo, apresentaram diferenças relativamente pequenas em relação às urnas, mas indicaram Allyson na liderança.

Outro cuidado é a comparação entre modalidades de pesquisa. O levantamento da Data Capital utilizado neste ranking é espontâneo, enquanto outros institutos trabalharam com cenários estimulados. Essa diferença deve ser considerada na interpretação dos resultados.

O balanço do segundo turno no Rio Grande do Norte deixa uma conclusão importante: não foi simplesmente a pesquisa mais recente que apresentou o melhor desempenho, mas aquela cujos números mais se aproximaram da distribuição efetiva dos votos.

A comparação também reforça a importância de observar o conjunto dos levantamentos, as datas de campo e os procedimentos metodológicos, em vez de tratar uma pesquisa isolada como antecipação definitiva do resultado eleitoral.

Nota metodológica

O ranking utiliza os números e as datas reunidos no levantamento, incluindo a atualização da DataVero divulgada em 24 de outubro e a pesquisa espontânea da Data Capital. A classificação mede a proximidade numérica com o resultado das urnas, não a qualidade metodológica geral dos institutos. A comparação deve ser considerada preliminar até a conferência integral dos relatórios originais e dos registros eleitorais de todas as últimas rodadas.