Médicos lançam nota de esclarecimento

Carta de esclarecimento à população Mossoroense
Através deste comunicado prestamos esclarecimentos à população da cidade de Mossoró-RN e aos usuários das Unidades de Pronto Atendimento – UPA’s (Santo Antônio, Alto de São Manoel e Belo Horizonte) em razão da veiculação por parte da mídia do “afastamento” de alguns médicos destas unidades de saúde.
A princípio cabe esclarecer que, aproximadamente, 50 (cinquenta) médicos que prestavam serviços às unidades acima mencionadas através da empresa Serviços de Assistência Médica e Ambulatorial Ltda – SAMA solicitaram, temporariamente, o afastamento da escala de Plantão.
Na qualidade de Médicos sempre procuramos desempenhar nossas atribuições com honra e dignidade, em absoluto respeito aos cidadãos e em benefício deste. Ocorre que o serviço prestado não depende, apenas, da mão de obra humana, mas também de condições de trabalho e infra estrutura.
Assim, estamos sendo obrigados a trabalhar sem qualquer condição mínima ou digna de trabalho, com consultórios com ar condicionado quebrado, cadeiras em mau estado de conservação, repouso dos médicos com colchões velhos, falta de toalhas, banheiro com sanitários inoperantes, dentre outras condições inóspitas.
Além disto, nos deparamos, diariamente, com uma precária e obsoleta infraestrutura, desde falta de ventilador mecânico, ausência de monitor cardiorrespiratório, inexistência de oxigênio contínuo, bem como, falta de drogas de caráter emergenciais e bombas de infusão contínua de medicamentos, além das eternas manutenções e ausências de aparelhos de eletrocardiograma, radiografia, desfribiladores et cetera.
Como se as condições de trabalho precárias e a falta de infraestrutura não fossem suficientes para comprometer a excelência na prestação do serviço que buscamos ofertar à população, nós Médicos também somos vítimas da falta de segurança, com constantes ameaças ao corpo médico e de enfermagem, onde o instrumento de “proteção” disponibilizado (câmeras de monitoramento) somente serve para fiscalizar o trabalho dos médicos e enfermeiros.
É importante ressaltar que o estopim desse afastamento dos médicos teve início com os atrasos salariais, que se arrastam desde Julho de 2015, tendo sido celebrado diversos acordos com a Prefeitura Municipal de Mossoró-RN e SAMA, tendo sido ajustado em uma das ocasiões a diminuição do número de Médicos Plantonistas, mas ainda assim persistem os atrasos salariais.
Os citados profissionais encontravam-se com salários e/ou honorários em atraso desde Setembro de 2015, tendo este somente sido pago em 16 de Dezembro do ano em curso após a possibilidade de entrega das escalas de plantão.
Objetivando, pois, melhores condições de trabalho, infraestrutura, segurança e o pagamento dos serviços prestados em dia, ou seja, melhorias para a categoria médica e da população de Mossoró, os citados Médicos passaram a cobrar da Prefeitura Municipal de Mossoró-RN, por entremeio da SAMA, o cumprimento das obrigações legais, uma vez que a saúde é dever do ente público.
Após as referidas cobranças, a empresa SAMA adotou uma postura não de austeridade, mas de represália em relação a um colega de profissão, apontando-o, nas entrelinhas, como incitador de motim e desleal. Certamente não poderíamos nos quedar inerte diante dos acontecimentos que comprometem a excelência na prestação dos serviços de saúde por nós Médicos.
Não ficaremos amordaçados para não reclamar os pagamentos dos salários dos meses de Outubro e Novembro de 2015. Iremos reclamar por melhorias e condições dignas.
O diálogo sempre foi buscado, mas pouco foi ouvido. Nada, ou quase nada, de melhoria se viu.
A solução que encontramos foi entregar a escala dos plantões das referidas Unidades de Saúde ao Diretor Técnico a partir de 01 de Janeiro de 2016, às 07:00 horas.
Nós sempre cumprimos com os ditames éticos da nossa profissão e, por esta razão, estamos sendo solidários ao movimento de defesa de dignidade da profissão, até quando venha ocorrer a devida melhoria, ou compromisso de melhoria, das condições de trabalho e infraestrutura, bem como, da remuneração digna e pontual pelos serviços prestados.

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