Mossoró e a doença holandesa

Mossoró precisa buscar novas alternativas (Foto: autor não identificado)

Mossoró corre sério risco de num futuro não muito distante se tornar uma cidade fantasma. Há dez anos poucos políticos se propuseram a discutir o pós-Petrobras. O assunto sempre foi um debate marginalizado.

Enquanto os que estavam no poder falavam em “metrópole do futuro” o jornalista Emery Costa fazia registros do “Mossoró Já Teve” na sua coluna em O Mossoroense.

Era um sintoma claro de doença holandesa.

A cidade ia perdendo indústrias e seguia com os bolsos cheios graças a farra dos royalties do petróleo.

A partir de 2011 o desinvestimento da Petrobras se intensificou e poucos se atentaram a isso. As lutas pela retomada dos investimentos renderam apenas fotos e nada mais.

Aos poucos, Mossoró foi tendo como solução a venda dos campos maduros para a iniciativa privada em vez de buscar novas cadeias produtivas e investimentos no setor industrial.

Com o desemprego muita gente vai apostando no próprio negócio no setor de serviços. Os negócios fecham em grande velocidade porque não há espaço para todos.

Mossoró vive o que no jargão da economia se chama “Doença Holandesa” cuja origem se dá na Holanda dos anos 1960 quando a descoberta de reservas de gás natural levou o país apostar tudo nos recursos naturais e se desindustrializar gerando sérios problemas nos anos seguintes.

Há estudos que apontam para que exista um fenômeno nacional. Mossoró teria se rendido a isso deixando a doença se alastrar. A geração de riquezas vai diminuindo e afetando o setor de serviços. Menos impostos, menos investimentos do setor público em obras estruturantes.

Agora há uma esperança de retomada de investimentos no setor petrolífero com a Petrorecôncavo que comprou 34 campos no Rio Grande do Norte.

É um alento, mas logo de cara é uma certeza de que a empresa não gerará tantos empregos como antes nem pagará os bons salários de outrora.

Mossoró trata a doença holandesa com um paliativo. A verdadeira cura passa por criatividade e oferecimento de condições para novas cadeias produtivas em nossa economia.

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6 opiniões sobre “Mossoró e a doença holandesa

  • 6 de maio de 2019 em 15:02
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    Na vdd, só os tolos engoliam a idéia de cidade do futuro. A população ia crescendo e nada de expandir em industria, a idéia foi só explorar o q Deus deixou e não procurou converter os lucros dos impostos deixados pela referida e multiplicar e enriquecer a cidade em indústria. ”
    Mossoró entrou no meio, mas o meio não entrou em Mossoró”.

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  • 6 de maio de 2019 em 15:41
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    Pura verdade. Concordo plenamente com você. Não sou mossoroense, mas ao chegar aqui a dezoito anos atrás, vi exatamente isso. Muita ostentação é nada de visualização no futuro.

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  • 6 de maio de 2019 em 21:59
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    Existe Um Ditado Bem Ditado No Mundo Todo.
    De Onde Se Tira E Não Se Bota A Fonte Seca.
    Não Foi Acompanhado Com Planejamentos Maciços O Crescimento Do Extravio De Petróleo Nos Grandes Campos De Petróleo Que Aqui Se Encontram.
    Francisco De Assis.

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  • 7 de maio de 2019 em 00:58
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    Pensar o futuro n é coisa de política amadora, que até hoje é o q vemos por essas bandas. Após saquearem o erário, os políticos saem de bolso cheio e o povo fica refém das crises pela má administração. Não tem jeito, enquanto n houver penas pesadas para gestores públicos incompetentes, iremos amargar o sabor do descaso.

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  • 7 de maio de 2019 em 13:52
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    Uma cidade tão rica , mas em mãos de politicos mediocres com heranças comportamental de seus ancestrais que tambem pouco fizeram.
    Esqueceram que memória social é tudo para uma futura geração.
    Roubqm até mesmo o seu aqui e agora.

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