Em conversa com o Blog do Barreto, a candidata ao Senado Samanda de Lula falou sobre o desafio de substituir a governadora Fátima Bezerra (PT) na corrida ao Senado, da necessidade de se fazer um trabalho parlamentar que vá além do despacho de emendas lembrando que senador não executa obras e do peso que o Senado terá nos próximos anos que torna necessário eleger nomes alinhados aos projetos do presidente Lula da Silva (PT).
Como tem sido substituir a governadora Fátima Bezerra nestas eleições?
Eu tenho muito orgulho de representar o projeto político que Fátima e Lula representam no Rio Grande do Norte. Fátima não pôde ser candidata nesta eleição, e eu assumi essa missão com muita responsabilidade. Trabalhei ao lado dela por mais de 20 anos, acompanhei sua atuação como deputada, senadora e governadora e participei de muitas das lutas que ela travou pelo nosso estado.
Tenho minha própria trajetória, minha forma de fazer política e os compromissos que estou apresentando ao povo potiguar, mas o que nós temos em comum é lado. É saber quem a gente representa. Fátima foi uma senadora que abriu portas em Brasília, trouxe investimentos e defendeu os trabalhadores. Fora o legado na educação. Quero levar essa capacidade de articulação de volta ao Senado e, ao lado do presidente Lula, ajudar o Rio Grande do Norte a avançar.
A senhora tem batido na tecla que um senador não pode ser apenas um despachante de emendas. Qual seria o seu diferencial?
Emenda é importante e eu vou destinar emendas. A diferença é que eu não acho que o trabalho de um senador possa começar e terminar nisso, como tem acontecido. O recurso da emenda não pertence ao parlamentar, é dinheiro público. Senador não executa obra. Senador precisa legislar, fiscalizar, votar as grandes questões do país e ter capacidade política para abrir portas e defender os grandes projetos do seu estado.
Uma duplicação como a da BR-304 não se faz apenas com emenda parlamentar. Ligar o Rio Grande do Norte à Transnordestina, viabilizar o Porto-Indústria Verde, atrair investimentos e garantir recursos para grandes equipamentos de saúde e educação exige articulação com o Governo Federal, com os ministérios e com o Congresso.
É isso que quero fazer: ter emendas transparentes, construídas ouvindo os municípios, mas usar também o peso político do mandato para trazer investimentos estruturantes e defender o Rio Grande do Norte em Brasília. Eu conheço Brasília, conheço os 167 municípios potiguares e sei abrir essas portas.
A democracia corre sérios riscos com a ameaça de vitória da extrema direita. Qual a importância de eleger nomes do campo progressista nestas eleições?
O Senado que sair das urnas vai tomar decisões fundamentais para o futuro do Brasil. É lá que passam as propostas do presidente da República, as indicações para o Supremo Tribunal Federal, mudanças constitucionais e decisões que atingem diretamente a vida das pessoas.
Por isso não basta eleger Lula presidente e mandar para o Senado pessoas que vão trabalhar contra as propostas que ele apresentar. O presidente não governa sozinho. Ele precisa de uma maioria que permita avançar em medidas como a redução da jornada de trabalho sem redução de salário, a valorização do salário mínimo, o fim das bets, os investimentos em saúde e educação e o fortalecimento das políticas sociais.
E existe uma disputa muito clara sobre o papel do Senado. Setores da extrema direita querem fazer maioria na Casa para transformar o Senado num instrumento permanente de confronto institucional. Eu quero estar lá para defender a democracia, os direitos do povo e ajudar o Brasil a avançar. É por isso que digo que tenho lado e não escondo de ninguém: sou a candidata de Lula ao Senado no Rio Grande do Norte.
No que a bancada do RN tem falhado nestes últimos anos?
Basta a gente perceber que boa parte do povo do Rio Grande do Norte não sabe quem são e nem qual o trabalho dos atuais senadores.
Eu acho que faltou atuação coletiva e articulação política em torno dos grandes interesses do Rio Grande do Norte. Nós temos uma bancada com instrumentos importantes, inclusive milhões em emendas, mas o estado precisa de muito mais do que uma soma de emendas individuais. Precisamos de uma bancada capaz de sentar junta e dizer: quais são os cinco ou dez grandes projetos que vão transformar o Rio Grande do Norte nos próximos anos? E trabalhar coletivamente para viabilizá-los.
Também sinto falta de uma presença política maior dos atuais senadores no debate público. E esta própria eleição trouxe um fato simbólico: justamente os dois senadores que estão disputando a reeleição faltaram a sabatinas e ao debate. Quem já exerce o mandato deveria estar ainda mais disposto a sentar diante da imprensa e prestar contas do que fez nesses quase oito anos.
Quais grandes projetos foram articulados por eles? Qual foi a produção legislativa? Que posições assumiram? Senador não pode aparecer apenas para anunciar recurso. Tem que prestar contas, enfrentar perguntas e assumir posições diante da sociedade.
Eu quero ajudar a construir uma bancada que tenha mais diálogo entre si, que defina prioridades para o estado e tenha força política em Brasília para fazê-las acontecer.
Qual será a sua principal bandeira no Senado?
Se eu tiver que sintetizar em uma grande bandeira, será defender quem trabalha e cuida da família. E o símbolo mais concreto disso hoje é o fim da escala 6×1, com redução da jornada e sem redução salarial.
Mas esse compromisso é mais amplo. É defender salário e poder de compra, combater fortemente as bets que estão tirando dinheiro da mesa das famílias, proteger mulheres e crianças, fortalecer a segurança pública e criar oportunidades para que nossos jovens possam trabalhar e construir a vida aqui no Rio Grande do Norte.
E existe uma segunda dimensão que anda junto com essa: fazer o RN avançar. Quero usar o mandato para garantir investimentos, acompanhar a duplicação da BR-304, trabalhar pela nossa ligação com a Transnordestina, pelo Porto-Indústria Verde e por mais recursos para saúde, educação e infraestrutura.
Quero ser uma senadora que tenha posição em Brasília e presença no Rio Grande do Norte. Uma senadora que saiba de que lado está: do lado de quem trabalha, do lado do povo potiguar e ao lado do presidente Lula.
