Natal é uma cidade dividida, mas Câmara Municipal se comporta como se estivesse em Santa Catarina

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Natal é uma cidade politicamente dividida, que funciona como um pêndulo ideológico a cada eleição. Fazendo um recorte nas duas últimas podemos ver como isso acontece.

Em 2022, o presidente Lula derrotou Jair Bolsonaro no primeiro turno por 50,15% contra 42,01%. A governadora Fátima Bezerra foi a mais votada na capital com 49,93%. No senado a disputa foi mais apertada com uma vantagem de apenas 3.203 votos de vantagem de Carlos Eduardo Alves (PDT) sobre o Rogério Marinho (PL), que viria a vencer a eleição.

Natália Bonavides, do PT, foi a deputada federal mais votada. O deputado estadual mais votado foi o bolsonarista Wendell Lagartixa, que sequer assumiu o mandato e está preso, acusado de envolvimento em um triplo homicídio.

No segundo turno Lula venceu novamente na capital com 52,96% (246.881votos) contra 47,04% de Bolsonaro (219.306 votos).

Corta para 2024.

Tivemos uma eleição com sinal trocado com a direita prevalecendo. Paulinho Freire e Natália Bonavides foram ao segundo turno com o candidato do União Brasil vencendo por 55,34% a 44,66%.

São dados que mostram que a cidade é dividida.

Feito este longo preambulo com o objetivo de lhe situar concluo que há um descolamento da realidade dos vereadores da capital com relação a realidade política da cidade.

Os dados eleitorais sinalizam que o eleitor médio de Natal é moderado entre a esquerda e a direita, mas Câmara Municipal natalense se comporta como se estivesse numa cidade de Santa Catarina, Estado considerado o mais bolsonarista do país.

Vejamos a questão dos títulos de cidadania.

A casa aprovou título de cidadania para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que contribuiu para que o Brasil tivesse uma quantidade de mortes na pandemia acima de média mundial e está sendo julgado por golpe de estado. A casa também não viu problema em dar essa honraria ao deputado federal do MBL Kim Kataguiri (UB//SP), que nada fez pela nossa capital.

Na contramão disso, foram negados títulos de cidadão natalense a cantora Pablo Vittar, um símbolo na luta pelos direitos da comunidade LGBT+ e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, um dos responsáveis pela preservação da democracia no Brasil.

A casa também está indo para cima do mandato da vereadora Brisa Bracchi (PT) por irregularidades na aplicação de emendas, mas faz vista grossa para outros parlamentares que fizeram igual ou pior que a petista.

Natal é uma cidade pêndulo que tem um parlamento descolado da realidade, que se comporta como se estivesse num ambiente bolsonarista.

O Rio Grande do Norte não é Santa Catarina.