“O governador Robinson Faria (PSD) faz um governo que vive no fio da navalha”, afirma Souza

Mossoró está sem representante na Assembleia Legislativa, mas isso não significa que a região esteja ausente na casa. O deputado estadual Souza Neto (PHS), ex-prefeito de Areia Branca, é o parlamentar que chega mais próximo de representar a segunda maior cidade do Rio Grande do Norte. Nessa entrevista ao Blog do Barreto ele aborda esse e outros assuntos.

 Qual a avaliação que o senhor faz da gestão de Robinson Faria?

O governador Robinson Faria (PSD) faz um governo que vive no fio da navalha, no limite, com quase nenhuma margem de manobra e escassa capacidade de investimento. Sua missão mais frenética e devotada tem sido pagar os salários do funcionalismo em dia. É uma obrigação, claro. Mas uma obrigação que por exemplo, num dos estados mais ricos da Federação, o Rio Grande do Sul, tem sido parcelado em quatro vezes. Se não tivesse conseguindo pelo menos isso, pode ter certeza que nós estaríamos vivendo em terra arrasada. É importante dizer, que o governo tem conseguido avanços na Educação, pois houve a convocação de cerca de quase novecentos professores, promoção de letras que arrastavam-se desde 2006 e haverá novo concurso público. Na saúde, tentou logo suprir a questão do desabastecimento das unidades hospitalares e articula política de regionalização do atendimento. Na Segurança, há de positivo a convocação da Polícia Civil e promoções, fruto de compromissos com os policiais militares. Mas será impossível o governador obter mais êxitos adiante, sem o apoio de outros poderes e do conjunto da sociedade. Esse diálogo ele tem conseguido promover.

O senhor conseguiu fazer Areia Branca voltar a Assembleia Legislativa após 50 anos. Que diferença faz para a cidade ter um representante na casa?

Primeiro para o areia-branquense, tenho certeza que é um motivo de satisfação reconquistar a cadeira de Manoel Avelino, que saiu de nossa terra há cerca de 50 anos, para ser deputado estadual. Temos conseguido encaminhar pleitos importantes para o Município de Areia Branca, como por exemplo, a construção de uma adutora de mais de um milhão de reais, que vai permitir que a área urbana seja atendida com dois poços profundos, solucionando o problema hídrico; a melhoria das escolas, a presença do projeto social Sesc Mulher, graças a apoio que obtivemos da Fecomércio; a realização dos projetos assembleia cultural e cidadã, que promoveu cidadania para milhares de pessoas, com atendimentos médicos, odontológicos, documentação pessoal, …, o projeto assembleia itinerante que permitiu que a assembleia legislativa realizasse a sessão ordinária na própria cidade de Areia Branca, etc. Mas é importante frisar, que minhas responsabilidades vão mais além dos limites de Areia Branca. Tenho que representar uma vasta região. Fui votado em 111 municípios. Estou de fato, deputado estadual.

O senhor tem tentado ocupar o vácuo de representatividade de Mossoró em nível estadual. Quais ações por Mossoró o senhor tem para mostrar até o momento?

Na verdade, eu não ocupo vácuo. Sou justo, grato e consciente do meu papel. Tive mais de 4 mil votos em Mossoró, fui o segundo eleito mais votado na cidade, tenho laços familiares, profissionais, políticos e de formação educacional com Mossoró. Quando vereador, vice e prefeito, sempre votei em deputados de Mossoró, e os tinha como representantes de Areia Branca. Agora, enquanto deputado, quero retribuir essa parceria com Mossoró e toda região da Costa Branca e Oeste, principalmente. Antes mesmo de assumir o mandato, procurei representantes da sociedade civil organizada e os poderes Executivo e Legislativo, oferecendo minha força de trabalho para a defesa dos interesses de Mossoró. Me reuni com o prefeito Francisco José Júnior, Câmara Municipal, Acim, CDL, Sindivarejo e sindicatos da indústria e moagem do sal. Quero lembrar que tenho raízes familiares aqui, no bairro Bom Jardim, me formei em Agronomia na antiga Esam, sou estudante de Direito da Uern, sou servidor público federal concursado e assumi o cargo em Mossoró, desde criança ando, compro e utilizo serviços diretos de Mossoró. Não sou estranho a Mossoró nem ela a mim. É um equivoco me tratar por forasteiro, oportunista ou ausente. Nenhuma dessas pechas me cabe, mas respeito quem as utiliza por desconhecimento de causa. Os que o fazem por má-fé, prefiro ignorar. Entrego a Deus.

O senhor foi aluno da UERN e logo nesse primeiro ano de mandato viu a maior greve da história da instituição. Como o senhor avalia o retorno aos trabalhos forçado por decisão judicial?

Primeiramente, assinalo que sou aluno do curso de Direito, mas com dificuldade de conciliação com a atividade parlamentar. Sobre a Uern, deixo claro que sou contra a judicialização e defendi desde o primeiro momento o diálogo. Procurei os representantes dos segmentos, coloquei-me à disposição para intermediar negociação com Governo. Ponderei ao governador e a seus representantes, sobre a importância da Uern e a necessidade do entendimento. Fui uma das poucas vozes nesse sentido, bradando em Natal e de Natal para o RN. Mais um detalhe: quando ocorreu um dos primeiros impasses, tive a iniciativa de procurar o Ministério Público e trabalhar uma proposta para sanarmos a questão. Chamei outros políticos e tive a atenção principalmente da senadora Fátima Bezerra. A consultoria do estado chegou inclusive a elaborar parecer pelo entendimento ao cumprimento do acordo. Porém todas as tratativas foram inócuas e no final terminou se optando pelo caminho da judicialização. Eu tenho um lado nesse embate: estou do lado da Uern e os fatos provam isso.

Desde os tempos de prefeito o senhor articula o pólo Costa Branca. O que falta para que o turismo do interior se equipare ao da capital?

Defendi em campanha a Política de Interiorização do Desenvolvimento. No mandato, é minha bandeira central de luta. A Associação dos Municípios da Costa Branca foi articulada por mim ainda no final de 2004, após as eleições, quando fui eleito pela primeira vez à Prefeitura. Pensava que ia contar com uns seis a oito municípios, mas passamos de 16. No turismo, acontece o que praticamente é regra nas políticas governamentais: só acontecem medidas isoladas e distintas, nunca algo integrado, planejado e voltado para dar certo. Recentemente promovi audiência pública que teve o tema no centro das discussões e vi um alento. Reunidos, na audiência, os mais variados órgãos públicos e da iniciativa privada, trabalhando justamente isso: interiorização com organização, para fortalecimento da indústria do turismo. É uma longa caminhada. Estamos trabalhando com boas perspectivas.

Qual a avaliação que o senhor faz da gestão de Francisco José Junior?

Antes de eu tomar posse, procurei-o. Ofereci meu mandato à sua gestão e a Mossoró. Em alguns momentos cheguei a intervir, como numa crise dele com taxistas intermunicipais de Tibau, e consegui negociar armistício. Depois, com o passar do tempo, nem telefonema meu o prefeito atendeu mais. Silveira enfrenta dificuldades que exigem partilhamento de ideias e esforço, para que as soluções sejam encontradas. Torço para que acerte.

E Luana Bruno, vai bem?

As pesquisas e o povo, através delas e nas ruas, dizem que não vai bem. Qualquer dúvida, é só fazer alguma pesquisa científica e ouvir o povo em qualquer ponto de aglomeração humana em nosso município.

O que motivou a divisão entre o seu grupo e o do ex-prefeito Bruno Filho?

Primeiramente, é bom que fique claro: não houve divisão: houve exclusão. Antes mesmo da posse de Luana Bruno, sua filha, nós já tínhamos sido descartados. A partir daí ficou difícil a afinação. Nas eleições estaduais, com minha candidatura posta, seu esquema preferiu apostar noutra candidatura que sabia inviável, mas com intuito de me derrotar. Vencemos. Areia Branca venceu. A propósito, não vejo o vereador João de Beguinho como derrotado, apesar de ter disputado vaga à Assembleia Legislativa como eu, tendo nossa Areia Branca como base.

Quem será o candidato de seu grupo a prefeito de Areia Branca?

A prioridade agora não é escolher um candidato, mas discutirmos como vamos resgatar Areia Branca da situação em que se encontra. Temos uns três a quatro bons nomes. Faremos uma campanha propositiva, mostrando que é possível governar para todos, sem rancor desse ou daquele adversário.

Quais são as emendas que o senhor pretende apresentar ao Orçamento Geral do Estado de 2016

Estamos ouvindo as lideranças políticas, comunitárias e segmentos produtivos de cada município, principalmente dos municípios da nossa região da Costa Branca e Oeste. Para 2015, resolvemos inovar como nunca ocorrera com qualquer deputado federal ou estadual nascido em Mossoró: definimos todas as emendas, que totalizam R$ 1,8 milhão, para o Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM). Por quê? Porque assim atenderemos com maior e melhor estrutura da saúde a mais de 60 municípios e a um contingente superior a 800 mil pessoas. Poderíamos ter fatiado as emendas, mandando R$ 50 mil para um lugar, 100 mil para outro, feito a antiga política do toma-lá-dá-cá etc. Mas preferimos esse investimento e agora trabalhamos para que o Governo conclua readequação de projeto e possa aplicar os recursos no Tarcísio Maia, que mesmo com todas as dificuldades é muitas vezes a última esperança de vida para areia-branquense, gente de Grossos, Caraúbas, Açu, Baraúna e até de pessoas de municípios cearenses como Icapuí e Aracati.

 

 

 

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