Há um discurso, sobretudo em setores do Plano Palumbo, área residencial da elite natalense, que lamenta a derrota do senador Rogério Marinho (PL) na disputa pela presidência do Senado como quem chora por uma eliminação da Seleção Brasileira numa Copa do Mundo.
Uma das alegações é que seria bom para o Rio Grande do Norte ter um presidente do Senado. Bom? Bom para quem? Só se for para o próprio Rogério.
O Rio Grande do Norte já teve dois primos em presidências de poderes num passado recente.
Entre 2007 e 2009, Garibaldi Alves Filho (MDB) assumiu o comando do Senado para concluir o mandato de Renan Calheiros (MDB/AL), que renunciou ao cargo após se envolver numa série de escândalos.
Na época houve muita comemoração.
Um presidente de Senado potiguar vai trazer mais recursos para o Rio Grande do Norte. Não foi bem assim. O mesmo aconteceu quando Henrique Alves (MDB) se tornou presidente da Câmara dos Deputados. Henrique no cargo ganhou um poder incalculável e usou tudo para forjar uma candidatura ao Governo do Estado que fracassou nas urnas em 2014.
A prática é que quando um político de um Estado pequeno como o nosso chega ao topo de uma casa legislativa ele faz muitas concessões pelo caminho e isso acaba impedido que o poder se reverta em investimentos do Governo Federal.
O “toma lá dá cá” fica capenga.
Garibaldi era aliado de Lula quando presidiu o Senado. Henrique era aliado de Dilma Roussef quando presidiu a Câmara dos Deputados.
Agora imagina um sujeito como Rogério Marinho no comando do Senado em um contexto de Lula presidente? Não traria ganho nenhum para o RN. Marinho é bolsonarista e um líder em ascensão na extrema direita. É inimigo do PT.
Uma eventual presidência do potiguar faria do Senado uma máquina de criar problemas para o governo Lula. O RN não ganharia nada com isso.
Achar que Marinho presidente do Senado seria bom para o RN é cometer um autoengano. Não perdemos nada com a vitória de Rodrigo Pacheco (PSD/MG).
A democracia ganhou com a derrota do bolsonarismo!