O cenário político do Rio Grande do Norte voltou a ser destaque na mídia nacional nesta segunda-feira. O Blog de Fausto Macedo, do Estadão, trouxe informações da Polícia Federal (PF) que detalham como a rede de propinas investigada na Operação Mederi, que envolve o prefeito de Mossoró e pré-candidato ao governo estadual, Allyson Bezerra (UB), utilizava métodos sofisticados para ocultar dinheiro público.
Segundo as investigações, o esquema de corrupção e fraude em licitações na área da Saúde utilizou a conta bancária de uma estudante na época menor de idade para lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. A jovem é filha dos empresários Oseas Monthalggan e Roberta Praxedes da Costa, apontados como operadores da rede.
A conta da estudante teria movimentado R$ 427 mil em apenas um ano, logo após contratos firmados com o município de Serra do Mel. Para a PF, a movimentação é incompatível com a capacidade financeira da jovem, servindo apenas para armazenar e distribuir o “dinheiro da corrupção”.
A “Matemática de Mossoró”
O escândalo ganhou trações nacionais com a divulgação de diálogos interceptados que revelam a chamada “Matemática de Mossoró”. Em conversas de maio de 2025, o empresário Oseas Monthalggan detalha como funcionava o rateio das propinas:
- Percentuais definidos: Do valor de uma ordem de compra, eram retirados percentuais para os agentes públicos antes mesmo da entrega dos produtos.
- Citações nominais: Os diálogos indicam que o prefeito Allyson Bezerra e o vice-prefeito Marcos Bezerra (PSD) estariam no “topo do esquema”, recebendo valores que chegariam a 15% dos contratos.
- Empresa Central: A companhia Dismed é apontada como a peça central que operacionalizava os pagamentos ilícitos em Mossoró e outras cinco cidades potiguares.
Desdobramentos e Defesa
A Operação Mederi, deflagrada originalmente no final de janeiro, estima um rombo de R$ 13,5 milhões aos cofres públicos. O desembargador Rogério Fialho Moreira, do TRF5, destacou que as práticas ilícitas eram encabeçadas pelo “alto escalão” das gestões municipais.
Allyson Bezerra afirmou que “não há qualquer fato que o vincule pessoalmente” às suspeitas levantadas pela Polícia Federal.
A investigação continua a buscar contatos com as defesas dos empresários e do vice-prefeito citados. O caso coloca pressão sobre a pré-candidatura de Bezerra ao governo do estado, dada a gravidade das acusações de desvio de recursos da Saúde.