PM preso por estupro e morte de adolescente recebeu duas promoções e segue na folha de pagamento do RN

Pedro segue recebendo salários e sendo promovido na PM após fazer o que fez com Zaíra (Foto: reprodução)

Uma denúncia publicada nesta sexta-feira (20) pelo colunista Carlos Madeiro, do UOL, expõe uma face desconcertante da máquina pública potiguar: o policial militar Pedro Inácio Araújo de Maria, preso desde 2019 sob a acusação de estuprar e assassinar acusado de matar a adolescente Zaira Cruz, de 16 anos, não apenas continua recebendo salários, como foi promovido duas vezes enquanto estava atrás das grades.

O caso, que chocou o Rio Grande do Norte pela brutalidade na época, revela agora um cenário de estagnação administrativa e privilégios mantidos mesmo diante de crimes hediondos.

Segundo a reportagem, o agente permanece nos quadros ativos da Polícia Militar do RN. O que causa maior indignação não é apenas a manutenção do salário — frequentemente amparada pela presunção de inocência até o trânsito em julgado — mas o fato de o Estado ter concedido duas promoções por antiguidade ao réu durante o período de reclusão.

Na prática, enquanto aguarda o desfecho judicial de um crime bárbaro, o policial subiu na hierarquia da corporação e teve seus vencimentos reajustados.

A situação levanta questionamentos urgentes sobre a agilidade (ou a falta dela) dos processos administrativos disciplinares. Enquanto a Justiça comum segue seu ritmo lento, as instâncias internas da segurança pública parecem falhar em dar uma resposta rápida à sociedade.

O ponto central: Como um servidor público, afastado por acusação de crime de extrema gravidade, consegue cumprir os requisitos para promoção enquanto está custodiado pelo próprio Estado?

O que diz a legislação

Historicamente, o governo do Estado e o comando da PM se amparam no Estatuto dos Policiais Militares, que prevê a manutenção de direitos até que haja uma condenação definitiva. No entanto, o caso reacende o debate sobre a necessidade de reformas que permitam a suspensão de benefícios e promoções em casos de crimes de sangue e violência sexual com provas robustas.

A sociedade potiguar, e especialmente a família da vítima, assiste a um exemplo de “meritocracia do tempo”, onde o simples passar dos dias garante ascensão a quem é acusado de interromper violentamente a vida de uma jovem.