A Polícia Civil do Rio Grande do Norte contestou os dados divulgados pelo Instituto Sou da Paz sobre a resolutividade dos homicídios no estado. Em nota, a instituição afirmou que o percentual real de elucidação dos casos varia de 35% a 46,79%, considerando os dados oficiais referentes ao ano de 2025.
A manifestação ocorre após o Instituto Sou da Paz divulgar estatística que coloca o Rio Grande do Norte entre os estados com baixo índice de resolução de homicídios. Para a Polícia Civil, no entanto, há uma divergência metodológica entre os dados utilizados pelo instituto e os indicadores oficiais adotados pelo sistema de segurança pública potiguar.
Segundo a corporação, o levantamento do Sou da Paz teria se baseado em informações disponibilizadas pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, enquanto o estado utiliza a metodologia nacional do Ministério da Justiça, implementada no RN ainda em 2024. A Polícia Civil afirma que esses dados são oficiais, padronizados e auditáveis.
“O verdadeiro percentual de elucidação de homicídios varia de 35% a quase 50% — 46,79% — dados relativos ao ano de 2025”, informou a instituição.
De acordo com a Polícia Civil, o resultado representa o melhor desempenho histórico do Rio Grande do Norte na elucidação de homicídios. Em 2019, o índice era de 15%. Em 2021, aproximadamente 24% dos casos eram elucidados. Já em 2023, o percentual chegou a 35%.
A corporação atribui o crescimento a uma política de fortalecimento da investigação criminal, com investimentos em infraestrutura, tecnologia, recursos humanos e criação de unidades especializadas.
Um dos pontos destacados pela Polícia Civil é a diferença de desempenho entre as áreas com atuação direta das delegacias e núcleos especializados em homicídios e aquelas sem a presença dessas estruturas. Nas regiões atendidas por unidades especializadas, a resolutividade chega a 46,79%. Nas demais áreas, o percentual é de 35%.
A atual gestão também afirma ter promovido a maior expansão estrutural da história do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa, o DHPP. Segundo a nota, o número de delegacias especializadas passou de 9 para 16, além da criação do chamado “Cinturão Metropolitano”.
Outro ponto citado é a implantação dos Núcleos de Investigação de Mortes Violentas, os NIMOVs, que têm o objetivo de levar a expertise técnica da investigação de homicídios para diferentes regiões do estado.
A Polícia Civil também destacou o uso de novas ferramentas tecnológicas, como o Sistema de Gestão Estatística sobre Mortes Violentas Intencionais, o SISMVI, e o Relatório de Investigação Preliminar digital. De acordo com a instituição, esses instrumentos permitem maior rastreabilidade e auditabilidade das investigações desde o local do crime.
A nota ainda cita investimentos na Polícia Científica e maior integração entre Polícia Civil, Secretaria de Segurança Pública e Ministério Público como fatores que contribuíram para melhorar os indicadores de elucidação.
Para o sistema de segurança pública do Rio Grande do Norte, a divergência com o Instituto Sou da Paz decorre da utilização de bases e metodologias diferentes. A Polícia Civil sustenta que os dados oficiais do estado seguem metodologia comum aos demais estados brasileiros e refletem com mais precisão a complexidade da atividade investigativa.
Confira a nota na íntegra
Elucidação de homicídios no RN cresce a partir de investimentos
Em resposta à recente estatística divulgada pelo Instituto Sou da Paz, que posiciona o Rio Grande do Norte com um baixo índice de resolutividade para casos de homicídio registrados no estado, a Polícia Civil vem a público esclarecer que o verdadeiro percentual de elucidação de homicídios varia de 35% a quase 50% (46,79%) — dados relativos ao ano de 2025.
Historicamente, este é o melhor resultado no Rio Grande do Norte. Em 2019, este índice foi de 15%. Em 2021, aproximadamente 24% dos casos eram elucidados. Em 2023, chegou a 35%. Este salto (superior a 100%) é fruto de uma política de Estado focada no fortalecimento da investigação criminal e na transparência de dados, a partir de mais investimentos em infraestrutura, tecnologia e recursos humanos.
A implantação e expansão das delegacias e núcleos especializados em investigação de homicídios mostra que, nessas áreas, a resolutividade chega a quase metade dos casos (46,79%), contra 35% nas áreas onde não há atuação direta dessas especializadas.
O indicador leva em conta a metodologia adotada pelo Ministério da Justiça para todo o país, e que o estado implementou ainda em 2024 de forma pioneira. São dados oficiais, fidedignos, e com metodologia padrão, distante dos dados disponibilizados pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Norte e usados em abordagem do tema de forma superficial.
Contrariando leituras superficiais sobre a segurança pública, a atual gestão promoveu a maior expansão estrutural da história do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), saltando de 9 para 16 delegacias especializadas e criando o “Cinturão Metropolitano”. Além do reforço no efetivo via concursos públicos, o governo potiguar instituiu os Núcleos de Investigação de Mortes Violentas (NIMOV), garantindo que a expertise técnica chegue a todo o território estadual.
Essa evolução é sustentada pela modernização tecnológica e pela integração institucional. Com ferramentas como o Sistema de Gestão Estatística sobre Mortes Violentas Intencionais (SISMVI) e o Relatório de Investigação Preliminar (RIP) digital, o Rio Grande do Norte garante a auditabilidade e a rastreabilidade de cada investigação desde o local do crime. Os investimentos realizados na Polícia Científica também trazem enorme contribuição às investigações e elucidação dos casos, além da integração entre a Polícia Civil, a Secretaria de Segurança e o Ministério Público, que asseguram precisão nos indicadores oficiais, tornando-os imunes a interpretações que ignorem a complexidade da atividade investigativa.
O Sistema de Segurança Pública do Rio Grande do Norte ressalta que o combate à impunidade no estado é pautado por resultados técnicos sólidos, e com metologia padrão e comum a todos os estados, afastando-se de dados superficiais externos, com metodologia simplista.