Prefeitura de Caicó tem o melhor custo-benefício entre investimento em eventos e retorno financeiro

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Quando o assunto é festa pública, o Rio Grande do Norte opera em três modelos distintos: o investimento de massa (Mossoró), a pulverização cultural (Natal) e a tradição de rua (Caicó).

Em 2025, os números mostram que, embora Mossoró gere a maior receita bruta, é Caicó que consegue o maior retorno econômico para cada real investido pela prefeitura em shows. A cidade seridoense é apenas a 17ª em gastos com cachês no RN.

O custo-benefício de um evento é medido pela capacidade de transformar investimento público (cachês e palco) em receita privada (comércio, hotéis e serviços).

Município Gasto com Shows (Aprox.) Retorno Econômico Estimado O “Fator de Retorno”
Caicó R$ 3,8 milhões R$ 100 milhões 26x o valor investido
Mossoró R$ 25,7 milhões R$ 366 milhões 14x o valor investido
Natal R$ 18,6 milhões R$ 220 milhões* 11x o valor investido

*Estimativa somando São João e Natal em Natal (excluindo Carnatal, que é iniciativa privada).

Caicó: O Triunfo da Logística de Rua

A eficiência de Caicó reside no modelo do seu Carnaval. Diferente de Mossoró, que paga cachês de R$ 1,1 milhão para garantir público na Estação das Artes, Caicó atrai multidões baseando-se na tradição dos blocos de rua (Magão e Treme-Treme).

  • Baixo Custo Artístico: O “artista” em Caicó é o bloco. Isso permite que a prefeitura gaste muito menos com “estrelas” e foque na segurança e infraestrutura.
  • Resultado: Com um gasto 6,7 vezes menor que o de Mossoró, Caicó consegue um retorno que representa quase um terço da receita mossoroense, provando que a identidade cultural barateia o custo da atração turística.

Mossoró: O Peso do Gigantismo

Mossoró possui o maior evento do estado, o Mossoró Cidade Junina, que movimentou R$ 366 milhões em 2025. Porém, para manter esse patamar, a prefeitura entrou em uma “corrida armamentista” de cachês.

  • O Risco: Para cada R$ 1,00 que a prefeitura gasta com o artista, ela precisa gastar mais R$ 0,40 com uma estrutura monumental para recebê-lo. Em 2025, o custo total da festa (shows + palco) ultrapassou os R$ 33 milhões. Embora o retorno seja gigantesco, o custo de manutenção desse status é o mais alto do RN.

Natal: O Desafio da Dispersão

Natal enfrenta o maior desafio de custo-benefício devido à sua geografia. Ao contrário de Caicó e Mossoró, onde a festa é concentrada, o carnaval e o São João da capital são pulverizados em polos (Ponta Negra, Redinha, Centro, Petrópolis).

  • Custo Estrutural Elevado: Montar 5 palcos, 5 sistemas de som e 5 equipes de segurança para públicos menores dilui o impacto econômico. O retorno de Natal é sólido, mas a capital gasta proporcionalmente mais com “ferro e lona” (palcos) do que os vizinhos.

A Lição de 2025

Se o objetivo é receita bruta, Mossoró é imbatível. Se o objetivo é democratização cultural, Natal cumpre o papel. Mas se o critério é eficiência orçamentária, Caicó é o modelo a ser seguido.

A “Capital do Seridó” provou que investir em artistas locais e regionais (como a Banda Grafith e Circuito Musical, que dominam a grade seridoense) e fortalecer a tradição de rua é o caminho mais curto e barato para gerar riqueza no interior.