Procuradoria do Município recomenda cancelamento de todos os contratos da Prefeitura de Mossoró com Dismed e Drogaria Mais Saúde

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Em um desdobramento direto da Operação Mederi, deflagrada pela Polícia Federal, a Procuradoria Geral do Município (PGM) emitiu o Ofício nº 122/2026 recomendando medidas drásticas contra empresas e indivíduos investigados por esquemas de corrupção e fraudes em licitações.

O documento, assinado pelo Procurador Geral Tales Pinheiro Belém em 30 de janeiro de 2026, recomendou a suspensão de todos os contratos com a Dismed e a Drogaria Mais Saúde, envolvidas em graves suspeitas de desvio de recursos na saúde.

A investigação da Polícia Federal autorizada pelo desembargador do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, Rogério Fialho, aponta crimes como peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa voltada ao fornecimento de medicamentos.

Os diálogos interceptados citam um pagamento de 15% em propina para o prefeito Allyson Bezerra (UB).

A justiça federal determinou o bloqueio de mais de R$ 13,3 milhões pertencentes a empresas como a Dismed e Drogaria Mais Saúde, além de seus sócios.

Os sócios e administradores investigados, incluindo Oseas Monthalgan Fernandes Costa e Jose Moabe Zacarias Soares (ex-prefeito de Serra do Mel), estão proibidos de exercer atividades econômicas e de acessar as sedes de suas próprias empresas, além de estarem expressamente proibidos de frequentar as dependências da Prefeitura de Mossoró.

Desclassificadas

A Procuradoria orienta a desclassificação imediata dessas empresas de qualquer processo licitatório em andamento no município. Segundo o parecer jurídico, a manutenção de vínculos com empresas cujos dirigentes estão proibidos judicialmente de gerir seus negócios configuraria um risco inaceitável à continuidade dos serviços de saúde.

“A Administração Pública não pode se dar ao luxo de aguardar o trânsito em julgado de um processo criminal para proteger seus interesses e os da coletividade”, afirma o documento da PGM.

Plano de Emergência

Para evitar o desabastecimento de remédios de uso contínuo, a PGM determinou que a Secretaria Municipal de Saúde inicie, em caráter de urgência máxima, um planejamento contingencial. O objetivo é garantir que novas contratações ou mecanismos emergenciais assegurem que a população não seja prejudicada pelas medidas administrativas e criminais tomadas contra os fornecedores investigados.