A Quaest/Inter TV foi a pesquisa da última semana da campanha que mais se aproximou do resultado das urnas na eleição para o Governo do Rio Grande do Norte, conforme levantamento feito pelo Blog do Barreto comparando 17 pesquisas estaduais com o resultado oficial do primeiro turno.
Allyson Bezerra (União Brasil) terminou em primeiro lugar com 36,94% dos votos válidos, seguido por Cadu de Lula (PT), com 36,16%, e Álvaro Dias (PL), com 26,71%. Allyson recebeu 733.809 votos e Cadu, 718.300. A diferença entre os dois foi de apenas 15.509 votos. Os dois disputarão o segundo turno em 25 de outubro.
Para comparar os institutos, o Blog do Barreto calculou o erro absoluto de cada pesquisa para os três principais candidatos e, em seguida, a média desses erros. É preciso levar em consideração que a Quaest e a AtlasIntel foram os únicos institutos que aplicaram os questionários no fim de semana da eleição.
Quaest teve erro médio inferior a dois pontos
A última Quaest apontava aproximadamente 36,9% para Allyson, 32,14% para Cadu e 28,57% para Álvaro nos votos válidos.
Nas urnas foram 36,94%, 36,16% e 26,71%, respectivamente.
Isso resulta em erro médio absoluto de apenas 1,97 ponto percentual, o menor entre os 17 levantamentos analisados.
O desempenho da Quaest chama ainda mais atenção no caso de Allyson: a diferença entre a pesquisa e as urnas foi de apenas 0,04 ponto percentual.
A Affare aparece na segunda colocação do ranking, com erro médio de 3,44 pontos, seguida pela AtlasIntel, com 3,71, e DataVero, com 4,02 pontos.
| Instituto | Período de realização | Allyson | Cadu de Lula | Álvaro |
| Quaest/Inter TV | 2 a 3/10 | 36,90% | 32,14% | 28,57% |
| Affare/BG | 28/9 a 1/10 | 31,80% | 34,41% | 30,13% |
| AtlasIntel | 27/9 a 2/10 | 31,32% | 39,30% | 29,07% |
| DataVero/Diário do RN | 30/9 a 2/10 | 42,57% | 33,48% | 22,96% |
| IP Sensus | 22 a 25/9 | 36,70% | 24,79% | 32,80% |
| Consult/TN | 22 a 25/9 | 43,13% | 26,22% | 29,10% |
| Media/O Potengi | 27/9 a 1/10 | 40,82% | 26,00% | 32,59% |
| Pitágoras/Via Certa | 22 a 25/9 | 40,81% | 25,96% | 32,78% |
| Seta/Blog do Barreto | 28/9 a 1/10 | 46,26% | 27,64% | 24,32% |
| Metadata/Grupo Dial | 28/9 a 1/10 | 47,17% | 29,01% | 22,07% |
| Veritá | 28/9 a 2/10 | 25,10% | 44,60% | 28,30% |
| Exatus/Agora RN | 27/9 a 1/10 | 47,64% | 26,89% | 24,47% |
| Perfil/BG | 29/9 a 2/10 | 47,35% | 26,89% | 24,09% |
| ITEM/Difusora | 28/9 a 1/10 | 47,12% | 24,52% | 25,37% |
| TCM/TS2 | 27/9 a 1/10 | 50,13% | 25,06% | 24,06% |
| DataCapital | 27/9 a 1/10 | 49,55% | 25,17% | 22,57% |
| Qualittá | 27/9 a 1/10 | 53,67% | 25,43% | 20,66% |
| URNAS – 4/10 | — | 36,94% | 36,16% | 26,71% |
Pesquisas não captaram toda a arrancada de Cadu
O principal erro coletivo dos levantamentos, porém, ocorreu com Cadu de Lula.
O candidato do PT terminou o primeiro turno com 36,16%, praticamente empatado com Allyson. Uma parcela significativa das pesquisas da última semana, no entanto, ainda apresentava Cadu na faixa dos 24% a 29% dos votos válidos.
Seta, por exemplo, projetava 27,64%; Metadata, 29,01%; Exatus, 26,89%; Perfil, 26,89%; ITEM, 24,52%; DataCapital, 25,17%; e TCM/TS2, 25,06%.
A tendência de crescimento apareceu com maior intensidade apenas em alguns levantamentos da reta final.
A DataVero chegou a 33,48% para Cadu nos válidos, ficando 2,68 pontos abaixo das urnas. A rodada havia sido realizada entre 30 de setembro e 2 de outubro e já mostrava redução significativa da distância entre os dois primeiros.
A Affare foi a que mais se aproximou especificamente da votação de Cadu: 34,41%, erro de apenas 1,75 ponto.
Atlas e Veritá foram além e colocaram Cadu à frente de Allyson. Elas captaram uma votação elevada do petista, mas erraram a ordem final dos dois primeiros.
Agregador acertou Álvaro, mas subestimou Cadu
O comportamento das pesquisas individuais também explica o desempenho do agregador elaborado pelo Blog do Barreto.
Na atualização final, o modelo apontava aproximadamente:
Allyson: 42,9%
Cadu de Lula: 29,1%
Álvaro Dias: 26,6%
As urnas apresentaram:
Allyson: 36,94%
Cadu de Lula: 36,16%
Álvaro Dias: 26,71%
O agregador, portanto, ficou 0,11 ponto distante da votação de Álvaro, mas superestimou Allyson em 5,96 pontos e subestimou Cadu em 7,06 pontos.
O erro médio absoluto do agregador para os três principais foi de aproximadamente 4,38 pontos percentuais.
Isso significa que o agregador teria ficado, por essa métrica, entre DataVero e IP Sensus, aproximadamente na quinta posição se fosse tratado como mais um levantamento.
A eleição convergiu nas últimas horas
Os dados sugerem que o quadro eleitoral sofreu uma convergência acentuada na reta final.
A Quaest anterior, divulgada em 25 de setembro, ainda mostrava Allyson com 39% dos votos totais, Cadu com 21% e Álvaro com 18%.
Na última rodada, Allyson caiu enquanto Cadu e Álvaro avançaram. A DataVero também registrou movimento semelhante: no cenário apenas com os nomes, Allyson ficou com 37,38%, Cadu alcançou 29,40% e Álvaro 20,16%; quando a pesquisa apresentava os principais apoios políticos, a distância entre Allyson e Cadu caía para apenas 3,36 pontos.
As urnas levaram essa convergência ainda mais longe: apenas 0,78 ponto percentual separou Allyson de Cadu.
Resultado confirmou tendência de segundo turno
Se os institutos tiveram dificuldades para dimensionar a arrancada final de Cadu, o conjunto das pesquisas acertou um aspecto central da eleição: a necessidade de segundo turno.
Nenhum candidato atingiu a maioria absoluta dos votos válidos. O TSE confirmou Allyson e Cadu no segundo turno marcado para 25 de outubro.
Isso confirma a conclusão do levantamento anterior do Blog do Barreto: a grande maioria das pesquisas da última semana apontava segundo turno, embora houvesse enorme divergência sobre a distância entre os candidatos e, em alguns casos, até sobre a ordem de chegada.
A comparação com as urnas mostra que o maior fenômeno não captado integralmente pelas pesquisas foi a magnitude da consolidação de Cadu de Lula nos últimos dias. Allyson terminou bem abaixo de vários levantamentos, Álvaro praticamente coincidiu com o agregado, e Cadu chegou às urnas mais de sete pontos acima da média ponderada das pesquisas.
Nota metodológica: o ranking considera o erro médio absoluto dos percentuais de votos válidos atribuídos a Allyson, Cadu e Álvaro. A métrica mede proximidade numérica com o resultado das urnas; não avalia isoladamente margem de erro, intervalo de confiança, desenho amostral ou se uma diferença entre pesquisa e resultado é estatisticamente significativa.
