Luan era técnico em informática formado pelo IFRN e estudava C&T na Ufersa (Foto: Cedida)

Quem era Luan? Conheça a história e os sonhos do rapaz que foi brutalmente assassinado pela PM de Mossoró

Luan era técnico em eletrotécnica formado pelo IFRN e estudava C&T na Ufersa (Foto: Cedida)

Por Claudio Palheta Jr. 

“Extrovertido”,“sorridente”,“batalhador”, “cheio de sonhos” … Esses são alguns dos adjetivos que recorrentemente são dados ao jovem Luan Barreto, estudante universitário e técnico em eletrotécnica de 23 anos que foi brutalmente assassinado na noite de 1º de julho, na Avenida Lauro Monte, em Mossoró

O caso, que chocou todo o Rio Grande do Norte, e segue rodeado de mistérios e dúvidas, permanece sem respostas claras. Todos os indícios levam a crer que Luan foi vitimado após uma ação desproporcional e completamente atabalhoada da Polícia Militar de Mossoró. Até o momento os três PM’s foram afastados das funções enquanto caso é apurado, mas os questionamentos permanecem.

Quem matou Luan? De que arma partiu a bala que acertou sua cabeça? Onde estão as imagens das câmeras de segurança que rodeavam a cena do crime? Porque essas imagens não foram solicitadas imediatamente? Sob quais circunstâncias um motociclista, às 20h30 da noite, em uma das avenidas mais movimentadas da cidade levaria um tiro em cheio na cabeça? Todas essas questões permanecem povoando os noticiários, o imaginário popular e também o pensamento dos familiares e todos àqueles que amavam Luan Barreto.

Passados 17 dias do crime bárbaro, e de uma investigação que ainda não apontou os responsáveis pela tragédia, o Blog do Barreto conversou com exclusividade com familiares, amigos e a namorada de Luan, buscando conhecer melhor quem era esse rapaz, quais eram seus sonhos e esperanças e de que forma aqueles que o amavam estão lidando com luto e a sensação de injustiça. Parte do bate papo com os familiares foi registrado em vídeo e pode ser conferido ao final dessa reportagem

Lucas Barreto conta que um dos sonhos de seu irmão mais velho era o de garantir que a mãe não precisasse mais trabalhar e que eles pudessem, no futuro, ter uma vida mais confortável. Para que isso se realizasse, Luan trabalhava em dois empregos e também fazia faculdade de Ciência e Tecnologia na Universidade Federal Rural do Semi-árido.

“Desde cedo ele começou a trabalhar, já aos 12 anos. Seu primeiro trabalho foi numa oficina de carro e moto. Depois disso, meu irmão trabalhou como servente, marceneiro, padeiro, vidraceiro e por último estava trabalhando como eletrotécnico, após ter concluído o curso de Eletrotécnica no IFRN. Ele tinha a fama de trabalhador justamente por isso. Estava se dando super bem no emprego atual, pois era exatamente na área que ele buscava e se formou. Uma coisa que ele falava muito para nossa mãe era sobre o desejo de reformar a nossa casa e também conseguir fazer com que ela não precisasse mais trabalhar tanto”, comentou Lucas.

O amigo Neemias Marinho reforça o caráter honesto e trabalhador de Luan. Para ele, o jovem era exemplo de superação e empenho, uma vez que dava conta de todas as suas atividades cotidianas sem esquecer de dedicar tempo aos amigos e a namorada. Para Neemias mesmo com suas inúmeras responsabilidades, Luan nunca deixou de pensar naqueles que estavam próximos.

“Luan é uma pessoa muito importante na minha vida. O que mais vai ficar na lembrança é a sua honestidade, sua força de vontade e capacidade de se superar. Mesmo não tendo tempo livre ele decidiu fazer uma faculdade. Ele trabalhava até as 18h, saia e ia estudar. Acordava cedo para ir à academia, depois já ia para o trabalho e ainda arrumava tempo para os amigos, para a família e pra namorada”

A tia de Lucas, Andreia Lígia, ressalta a alegria de Luan em viver e a felicidade que ele trazia a todas as pessoas que estavam ao seu redor. Ela foi uma das primeiras pessoas a chegar à cena do crime e os questionamentos que ela fez foram fundamentais para impedir que o caso de Luan fosse engavetado sem uma maior investigação.

“Tem um ditado que diz que para a pessoa ser elogiada precisa morrer. Pode até parecer que com Luan está acontecendo isso, mas não é. Ele sempre foi muito querido e isso transparece nas manifestações nas redes sociais e também nas ruas. As pessoas fazem questão de nos dizer que ele era muito alegra e querido. Gente que conhecia ele há muito tempo, gente que conhecia há pouco, era um consenso de como ele era um bom rapaz. Luan não havia completado sua missão aqui na Terra, que era de dar uma vida melhor para a mãe dele, infelizmente isso foi interrompido”, afirmou a tia

A prima de Luan, Lara Lívia, afirma que a vida de Luan sempre foi cheia de atividades e responsabilidades. “Ele conseguia conciliar tudo. Ele era o provedor da casa, mas sempre tinha tempo para tudo, para o trabalho, para os amigos… Há dois ele havia me falado que tinha o sonho de entrar n faculdade, mas sempre foi empurrando isso pra frente pois precisava prover as coisas dentro de casa e isso era a prioridade. Ele sempre falava que precisava trabalhar para que no futuro pudesse ter uma vida mais confortável, mais tranquila”, comentou.

 “Não consigo acreditar nem aceitar que isso aconteceu. Para mim ele vai voltar a qualquer hora” afirma namorada da Luan.

A namorada de Luan, Myrla Rodrigues também conversou com exclusividade com Blog do Barreto e contou como têm sido os primeiros dias após o bárbaro crime cometido contra o rapaz.

De acordo com as informações da própria Myrla, Luan foi baleado quando ia buscar a namorada no trabalho, por volta de 20h30 da noite. Ela narra como foram os momentos antes de descobrir que o rapaz havia sido alvejado e estava no hospital:

“Eu estava aguardando por ele, fiquei esperando até umas 21h20, 21h30 e comecei a perceber uma demora incomum. Comecei a ligar e tentar contato, mas sem nenhum retorno. Quando ele ia se atrasar ele sempre me avisava, mas como ele trabalhava a noite achei que ele estava ocupado, por isso decidi pegar um Uber para ir para casa.  Pouco tempo depois de chegar em casa comecei a receber as fotos que estavam circulando nos grupos de notícias e nessa hora fiquei desesperada. Ao chegar no hospital nos deram a notícia, mas eu não consegui acreditar”, afirmou a namorada.

A notícia da morte de Luan ainda não foi completamente processada por Myrla, que tem apenas 18 anos. Ela conta que tinha muitos planos e projetos com Luan e que admirava a sua força de vontade, alegria e coragem para enfrentar os desafios.

” Ainda não acredito nem consigo aceitar que isso aconteceu. Para mim ele vai voltar a qualquer hora. Saber que ele saiu de casa e que nunca mais vai voltar é algo que eu ainda não processei completamente. Ele me disse um dia que íamos vencer na vida e conquistar tudo o que sonhávamos. Isso infelizmente foi arrancado de nós”, concluiu.

Sonhos destruídos. Vida roubada. Uma tragédia e muitas marcas.

 Com a morte de Luan, também foram embora os planos e esperanças do jovem sonhador. Conhecido por sua humildade e gentileza, o rapaz que trabalhava em dois empregos e almejava dar um futuro melhor para a mãe, sem dúvida, marcou positivamente todos os que o conheceram em sua tão breve jornada nessa vida.

O irmão de Luan, Lucas, afirma que a mãe dos rapazes tem sofrido muito. “Nunca vi minha mãe tão triste quanto agora. Tenho feito de tudo para tentar manter ela animada e feliz, mas isso é difícil porque eu também não consigo parar de me sentir triste. O que desejamos é que esse crime seja apurado, os responsáveis paguem por ele. Só assim poderemos ficar um pouco mais tranquilos com tudo isso”, ressalta.

A prima de Luan, Lara, comentou a importância das investigações como forma de garantir que a justiça seja feita e que os responsáveis pelo crime sejam punidos. Dessa forma a família encontrara algum amparo em meio a essa tragédia.

“É impossível para a família e para os amigos seguirem em frente sem ter respostas sobre esse crime. A gente precisa disso. Não significa que vai passar, mas pelo menos vamos aos poucos aceitar a situação. Temos que ir atrás de saber quem foram os responsáveis por isso, como isso ocorreu. Só assim vamos poder desencasar nosso coração” afirmou Lara.

Neemias também ressaltou a importância da busca por justiça. “Luan foi um cara muito importante pra mim, a gente só quer saber quem foi que fez isso, que a justiça seja feita e a gente possa ter um pouco mais de conforto”, afirmou Neemias

Confira a seguir o bate papo na íntegra com a família de Luan. Nesse material exclusivo os familiares falam sobre a vida sem o rapaz, os sonhos que não poderão ser realizados e também sobre o processo de investigação do crime, as mobilizações em defesa de uma apuração justa e a rede de solidariedade entorno da família e amigos.

 

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