O Rio Grande do Norte e a dramaturgia brasileira perderam, neste domingo (11), uma de suas vozes mais autênticas e potentes. Izabel Cristina de Medeiros, mundialmente conhecida como Titina Medeiros, faleceu aos 48 anos em um hospital de Natal. A atriz lutava há cerca de um ano contra um câncer no pâncreas.
Natural de Currais Novos e profundamente ligada às suas raízes em Acari, Titina não era apenas uma intérprete; era uma operária da cultura que elevou o sotaque e a alma do Seridó aos palcos internacionais e ao horário nobre da televisão brasileira.
A trajetória de Titina foi forjada no teatro de grupo como peça fundamental do grupo potiguar Clowns de Shakespeare, ela ajudou a revolucionar a cena teatral do estado com espetáculos como Sua Incelença, Ricardo III, que levou a estética mambembe e nordestina para festivais em diversos países.
Embora sua base fosse o palco, foi em 2012 que o Brasil se rendeu ao seu talento cômico. Na pele de Socorro, a desastrada e ambiciosa seguidora de Chayene na novela Cheias de Charme, Titina demonstrou uma versatilidade rara, equilibrando o “timing” da comédia com a profundidade dramática que sempre carregou. Recentemente, em 2024, voltou a encantar o público como Nivalda em No Rancho Fundo.
Titina nunca permitiu que o sucesso no Sudeste a afastasse de sua missão no Rio Grande do Norte. Com a criação da produtora Casa de Zoé, ela focou na interiorização da arte. Seu solo, Meu Seridó, tornou-se um manifesto de amor à sua terra, narrando a história da região com uma mistura de humor, dor e resistência.
Ao lado de seu companheiro de vida e de arte, o ator mossoroense César Ferrario, Titina construiu uma parceria que era, ao mesmo tempo, afetiva e criativa, sendo referências mútuas na cena artística potiguar.
O último ato
O Governo do Estado decretou luto oficial de três dias, reconhecendo o impacto de sua obra para a identidade potiguar. O corpo da atriz foi velado sob forte comoção no Teatro Alberto Maranhão, local que foi sua “casa” por tantas temporadas.
Seguindo seu desejo, o sepultamento ocorre nesta segunda-feira (12) em Acari. Titina volta para a terra que tanto celebrou, deixando um legado de profissionalismo e a prova de que o regional, quando feito com verdade, é universal.