Candidato ao Senado pela segunda vez, Rafael Motta conversou com o jornalista Bruno Barreto sobre os principais temas que marcam sua campanha em 2026. Na entrevista, ele falou sobre o que considera ter mudado em relação à disputa de quatro anos atrás, defendeu uma atuação parlamentar que vá além da destinação de emendas e abordou as críticas que ainda recebe pelo voto favorável ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.
Motta também comentou o papel do Senado diante dos embates institucionais do país, reafirmou seu alinhamento político com o presidente Lula e fez críticas à atual representação do Rio Grande do Norte na Casa. Segundo ele, um mandato deve combinar destinação de recursos, articulação política, produção legislativa e defesa de pautas com impacto permanente na vida da população.
Confira o bate-papo
BB: O senhor é candidato ao Senado pela segunda vez. Qual a diferença nesta eleição?
RM: Acho que sou uma pessoa muito mais madura, com mais vontade de fazer pelo nosso estado e, principalmente, com mais certeza de que o Senado precisa de renovação. Também chego a esta eleição com alianças que fortalecem esse projeto, em especial o apoio expresso do presidente Lula. Muita coisa aconteceu comigo nos últimos quatro anos, e tudo isso me lapidou como político e como pessoa. Hoje tenho mais clareza sobre a contribuição que posso dar ao Rio Grande do Norte e sobre como fazer isso.
BB: A questão das emendas tem pautado o debate sobre a atividade parlamentar, mas qual o diferencial além das emendas o senhor tem a apresentar?
RM: Tenho falado muito sobre isso. Deputados e senadores recebem uma cota de emendas para destinar ao estado. Então, apresentar apenas isso como entrega é duvidar da capacidade de análise do eleitor do Rio Grande do Norte. Além das emendas, é preciso articular mais recursos, por meio das chamadas transferências voluntárias, trabalhar pautas, apresentar e aprovar projetos de lei, mudar a legislação. É esse conjunto de ações que produz resultado. Colocar na vitrine apenas o que é obrigação diz muito sobre a nossa bancada no Senado. Hoje, não vemos grandes entregas legislativas da bancada atual, nem notícias na mídia nacional sobre articulações dos nossos senadores em defesa do Rio Grande do Norte. Há uma dependência muito grande do discurso das emendas, como se elas fossem um favor ou um feito extraordinário, quando são parte da atividade parlamentar. Eu quero chegar ao Senado para indicar recursos, mas não somente. Quero ajudar a construir políticas, mudar leis e trazer para o estado investimentos que dependam de articulação política.
BB: O senhor tem sido cobrado pela militância do campo progressista pelo voto a favor do impeachment de Dilma. O que o senhor tem dito para superar esse tema?
RM: Sempre sendo transparente e nunca fugindo do tema. O PSB fez uma escolha que hoje considero errada e fechou questão naquele momento. É importante lembrar que o mesmo PSB integra hoje a vice-presidência da República. Eu fiz minha autocrítica e não demorei a fazê-la. Tanto que, depois do ocorrido, me coloquei na oposição ao governo Temer e votei contra todas as reformas e medidas que considerava prejudiciais à população. Não apago uma decisão que tomei, nem tento reescrever a história. O que posso fazer é reconhecer e mostrar o que fiz depois dela. Minha trajetória política não parou naquele voto. Ela continuou, e hoje tenho uma posição muito clara sobre o lado que escolhi estar há 10 anos.
BB:Hoje temos uma crise institucional profunda no país. Qual a importância de se eleger senadores comprometidos com o campo democrático?
RM: Talvez essa seja uma das eleições mais importantes que nós temos, porque o Senado vai ter um papel muito importante nos próximos anos e isso terá impacto direto no rumo da nossa democracia. Não dá para brincar, nem correr riscos. O Senado é uma Casa que participa das decisões mais importantes do país, inclusive em momentos de crise institucional, e por isso é fundamental eleger pessoas que tenham compromisso claro com a democracia, com as instituições e com o resultado das urnas. O nosso alinhamento com Lula é de 100%. E isso significa também um compromisso de 100% com a preservação da democracia. Nós sabemos de que lado estamos: do lado da Constituição, do respeito às instituições, da liberdade e da vontade popular expressa pelo voto. Não se trata apenas de uma aliança eleitoral. É uma escolha sobre o país que queremos construir e sobre as instituições que queremos preservar.
BB:Em que pontos o senhor considera que a bancada do RN tem falhado no Senado?
RM: Primeiro, há contradições que precisam ser explicadas. Um senador que se colocava como inimigo do nepotismo e hoje pratica o nepotismo, por exemplo. E uma senadora que quer convencer o eleitor de que é parceira do PT, quando, no estado, puxou o tapete do partido. Acho que o eleitor tem o direito de cobrar coerência e transparência. A questão das emendas também diz muito. Se eles dissessem: “Com os recursos que recebemos do governo federal, fizemos isso, isso e isso”, está tudo certo. Mas, além dessa obrigação, o que mais foi feito? Essa é a resposta que precisa ser dada. Quais projetos foram aprovados? Quais viraram lei? Quais atuações no Senado mudaram uma política pública ou impactaram concretamente a vida das pessoas? Eu passei oito anos na Câmara dos Deputados e tive uma atuação muito forte na apresentação e aprovação de projetos. Leis que beneficiam pessoas em todo o Brasil, sobretudo mulheres. É esse tipo de trabalho que eu quero levar para o Senado: não apenas trazer recursos, isso fiz e vou seguir fazendo, mas usar o mandato para mudar leis, defender pautas e produzir resultados que permaneçam.
