Recuperação de rodovias em Macau beneficia mobilidade, segurança e economia local

Foto: Humberto ales/Assecom

Para quem mora às margens de uma estrada, a qualidade do asfalto não é uma questão abstrata de infraestrutura. É poeira dentro de casa, dificuldade para sair e chegar, tempo perdido e insegurança no deslocamento. Foi a partir dessa dimensão cotidiana que a governadora Fátima Bezerra (PT) marcou, nesta sexta-feira (14), a entrega da recuperação de dois acessos rodoviários em Macau.

Juntos, os trechos que ligam Macau à Ilha de Santana e o centro do município à Praia de Camapum receberam R$ 23 milhões em investimentos. São três quilômetros em cada acesso, recuperados pelo Governo do Rio Grande do Norte dentro da segunda etapa do Programa de Recuperação de Rodovias Estaduais.

Ao falar sobre as duas entregas, Fátima destacou que a recuperação respondia a uma reivindicação antiga da população e lembrou que o compromisso havia sido assumido ainda antes da posse da prefeita Flavinha Veras.

“Para mim, a maior alegria é chegar aqui e escutar o depoimento do morador, 69 anos de idade, e o quanto eles sofreram com a precariedade dessa estrada. O quanto eles sonhavam exatamente com isso, o quanto eles lutavam exatamente por isso”, afirmou.

A governadora também fez questão de associar a obra ao compromisso assumido com a cidade. “Eu assumi o compromisso, e é isso. Compromisso cumprido”, disse.

Duas estradas: R$ 23 milhões

O acesso à Ilha de Santana recebeu R$ 10 milhões em investimentos. A ligação com a Praia de Camapum, pela RN-221, recebeu outros R$ 13 milhões.

A governadora afirmou que as duas obras foram executadas com métodos construtivos escolhidos para garantir maior qualidade e durabilidade ao serviço.

Fátima celebrou a recuperação da via (Foto: Humberto Sales/Assecom)

“R$ 23 milhões, as duas estradas que foram realmente reconstruídas. Foram utilizados métodos construtivos que garantissem a qualidade da obra”, declarou.

A governadora lembrou ainda outras intervenções realizadas pelo Estado na região, como a estrada de Guamaré e o acesso a Diogo Lopes.

A recuperação das estradas, segundo ela, tem impacto que vai além da circulação dos veículos.

“Eu sempre costumo dizer que a estrada é para as pessoas, em primeiro lugar. É para trazer bem-estar, é para trazer segurança viária para as pessoas e, ao mesmo tempo, evidentemente, cumprir com o seu papel, que é fomentar, que é movimentar a economia, que é promover o desenvolvimento cada vez mais.”

No caso de Macau, Fátima relacionou a melhoria da infraestrutura ao potencial econômico e turístico do município.

“Além do mais, de uma região que tem um potencial para o turismo extraordinário, como é Macau”, afirmou.

Vinte anos de espera

A recuperação do acesso à Ilha de Santana era aguardada pela comunidade há duas décadas. Durante a entrega, a prefeita de Macau destacou que a obra representa não apenas uma melhoria na circulação entre a sede do município e a comunidade, mas também uma intervenção com impacto direto na economia e na segurança de quem utiliza a estrada.

“Eu particularmente me emociono com esse momento histórico que estamos vivendo aqui para esse povo, aguardado por 20 anos”, afirmou.

Flavinha Veras chamou atenção ainda para o movimento de carretas que transportam sal pela região e para o desgaste provocado pelo tráfego pesado. Segundo ela, a nova estrutura da estrada foi pensada para suportar melhor essa realidade.

“Essa estrada não representa só o acesso seguro e ágil da população entre Macau e Ilha de Santana, mas também o impacto econômico. Vocês estão vendo várias carretas. Essa é a realidade da gente, com o tráfego constante das carretas de sal e a sobrecarga de peso sobre um asfalto que foi feito pensando especialmente para essa área”, disse.

De acordo com a prefeita, foi necessária a troca de solo e o reforço da estrutura para reduzir a necessidade de intervenções frequentes em um trecho submetido ao intenso fluxo de cargas.

A segurança também foi destacada por Flavinha. Ela lembrou que o trecho, por ser estreito e registrar circulação intensa de veículos pesados, já foi palco de acidentes.

Para a prefeita, a obra ultrapassa a dimensão da infraestrutura e tem efeito direto sobre a vida dos moradores.

“A gente sabe que isso aqui é garantia de vida e de dignidade para esse povo, governadora.”

A recuperação dos dois acessos, portanto, ocorre em uma cidade cuja economia depende diretamente da circulação de cargas pesadas. O novo asfalto melhora a mobilidade de moradores e trabalhadores, mas também recoloca em discussão quem deve arcar com o desgaste provocado pelo transporte da produção.

Uma estrada que mudou a rotina

A mudança pode ser percebida por quem vive diariamente na margem da estrada. Moradora de uma casa localizada às margens do acesso à Ilha de Santana, Ana Maria Lopo, 62 anos, relatou a diferença entre a realidade anterior e a estrada recuperada.

“Agora muda tudo, né? Era muita poeira. Para mim, está ótimo, eu não tenho nem o que dizer. Está bom demais. A gente tinha muita dificuldade com o acesso de Macau para a Ilha.”

O relato ajuda a dimensionar uma obra que, em números, representa seis quilômetros de estrada e R$ 23 milhões, mas que interfere diretamente na rotina de quem depende desses caminhos.

Foi justamente esse aspecto que Fátima ressaltou durante a entrega.

“Hoje é um dia para celebrar. Celebrar, celebrar mesmo”, afirmou.

Camapum e a circulação pelo município

A segunda entrega ocorreu na RN-221, no trecho de três quilômetros entre o centro de Macau e a Praia de Camapum. Com investimento de R$ 13 milhões, a recuperação melhora o acesso a uma das áreas de lazer e turismo do município.

Para a governadora, a estrada também deve ser vista como instrumento de desenvolvimento.

“Olha as carretas aqui passando”, disse Fátima durante a agenda, chamando atenção para o movimento de veículos e para o papel que a estrada desempenha na economia local.

A melhoria do acesso à praia ocorre ainda em um município que concentra atividades ligadas ao turismo, à pesca e à produção salineira, fazendo da circulação rodoviária uma parte importante da dinâmica econômica local.

Casa de Cultura segue em recuperação

A agenda do Governo do Estado em Macau também inclui a recuperação da Casa de Cultura Popular Palácio do Salineiro, embora a obra não tenha integrado a visita da governadora nesta sexta-feira.

O equipamento cultural, inaugurado em 2004, deixou de funcionar depois de ser invadido e depredado em 2010. Desde então, permaneceu sem cumprir sua função cultural.

A recuperação foi retomada em 1º de julho de 2026, depois de uma paralisação por falta de dotação orçamentária. O projeto prevê investimento total de R$ 949.760,49, dividido em duas etapas, com previsão de conclusão até 30 de novembro deste ano.

Até o momento, cerca de R$ 50 mil foram executados, aproximadamente 5% do valor previsto.

A retomada da obra ocorreu após uma mobilização da classe artística de Macau, que procurou o Governo do Estado em 2025 para reivindicar a recuperação do espaço.

O Palácio do Salineiro integra uma política mais ampla de recuperação da Rede de Casas de Cultura Popular. Nesta semana, o Governo do Estado iniciou o processo licitatório para a restauração de um primeiro lote de equipamentos. Ao todo, 14 das 29 casas da rede deverão ser recuperadas pelo projeto “Resgatando a História”, com investimento anunciado de R$ 14,8 milhões.

664 quilômetros na segunda etapa

As duas obras entregues em Macau integram a segunda etapa do Programa de Recuperação de Rodovias Estaduais, que prevê serviços em 664,2 quilômetros da malha rodoviária potiguar, com investimentos superiores a R$ 650 milhões, segundo o Governo do Estado.

Na primeira etapa, foram recuperados cerca de 800 quilômetros de estradas. Somadas outras intervenções realizadas desde 2019, o governo contabiliza aproximadamente 1.400 quilômetros de rodovias recuperadas.

Em Macau, Fátima apresentou as duas entregas como parte de uma política que busca recuperar ligações importantes para a população e para a economia regional.

“Eu fico muito feliz porque eu vim aqui na estrada, exatamente lembrando, por exemplo, foi o nosso governo que entregou a estrada de Guamaré. Aquilo era um sonho também, ele tem tudo a ver aqui, com toda a região. Nós fizemos também o acesso a Diogo Lopes, e agora estamos exatamente entregando esses R$ 23 milhões aplicados aqui para trazer respeito, para trazer bem-estar.”

Para a governadora, a recuperação dos acessos representa também uma forma de movimentar a economia de Macau e de toda a região.

“É para trazer bem-estar, é para trazer segurança viária para as pessoas e, ao mesmo tempo, evidentemente, cumprir com o seu papel, que é fomentar, que é movimentar a economia, que é promover o desenvolvimento cada vez mais.”

Em uma cidade marcada pela produção de sal, pelo movimento de cargas, pelo turismo e pela relação com o litoral, as duas estradas entregues nesta sexta-feira cumprem funções diferentes, mas se encontram em um mesmo ponto: são caminhos fundamentais para a vida econômica e cotidiana de Macau.