RN ultrapassa 50 mortes com confirmação de Covid-19

Secretário adjunto de Saúde do RN, Petrônio Spinelli, falou o aumento no número de confirmações de casos de coronavírus no Estado (Imagem: Reprodução)

O número de óbitos com confirmação do novo coronavírus no Rio Grande do Norte chegou a 54 casos. Já o número de casos confirmados de Covid passou de 857, conforme boletim epidemiológico divulgado ontem, 28, para 1.086, segundo os dados divulgados nesta quarta-feira, 29, pela Secretaria da Saúde Pública do RN (SESAP RN), em coletiva de imprensa realizada em Natal. Os números representam um aumento de, aproximadamente, 26,7% de confirmações da doença no Estado.

53 óbitos  ocorreram em 22 municípios do Estado: Assú (2), Alexandria (1),  Alto do Rodrigues (1), Apodi (1), Canguaretama (3), Carnaúba dos Dantas (1), Ceará-Mirim (2), Cerro Corá (1), Encanto (1), Ipanguaçu (1), Lagoa de Pedras (1), Macaíba (1), Mossoró (13), Natal (12), Nísia Floresta (1), Parnamirim (3), São Gonçalo do Amarante (2), São José do Mipibu (1), São Rafael (1), Taipu (1), Tenente Ananias (2), Touros (1). A outra morte aconteceu no RN, mas é referente a paciente de outro estado.

Os dados revelam ainda que há 4.730 casos suspeitos, 3.619 descartados e 352 de pessoas recuperadas no Estado. Nove óbitos estão em investigação.

Com relação ao crescimento de casos confirmados e descartados, o secretário adjunto de Saúde, Petrônio Spinelli afirmou que isso se justifica pela realização dos testes rápidos, que passaram a ocorrer nos municípios. “Os municípios estão fazendo os testes rápidos e alimentando o sistema, por isso que os números vão crescer de forma significativa nos próximos dias e já cresceu bastante hoje”, disse.

Ele também mencionou que o foco dos testes rápidos são os profissionais de Saúde, de Segurança e as pessoas doentes que precisam de diagnóstico. “Isso significa que, no total, há um viés de aumento do número de profissionais de saúde, seja descartado ou seja confirmado”, afirmou.

“Esse teste rápido mede o anticorpo, que só vai estar presente no organismo a partir do sétimo dia. Qual a importância disso?  Para dizer que o resultado do teste rápido ele vai dar muito mais de pessoas que tiveram a doença, do que pessoas que estão doentes. Então, boa parte dos profissionais de saúde que foram testados com o teste rápido, eles vão apresentar sorologia indicando que eles tiveram a doença e não que eles estão doentes”, acrescentou o secretário.

Para Spinelli, o crescimento significativo dos números representa, em partes, a preocupação ante o fato de que os dados de hoje refletem o comportamento social de dez a 14 dias atrás. “A tendência é a gente ter uma situação de progressivo aumento da necessidade de internação e de óbitos”, alertou, lembrando que houve uma mobilização social muito forte nos últimos dias.

O secretário adjunto também chamou a atenção para o quadro que pode se configurar daqui a uma semana e, novamente, lembrou que não é o momento de flexibilizar o isolamento social. “O momento não é de flexibilizar, o momento é de manter 60% de isolamento, que nesse momento não é nem o ideal”, ressaltou.

Spinelli também mencionou a gravidade dos comércios de grandes cidades estarem abertos. “Essa doença é traiçoeira e silenciosa. As pessoas podem não dimensionar o que vai acontecer daqui a sete, dez dias. Cidades que têm poucas notificações, reafirmo, são cidades, às vezes que tem o maior risco de daqui a dez dias estar em uma situação muito mais dramática”, afirmou.

Com relação à ocupação dos leitos críticos, o secretário adjunto informou que 40,6% estão ocupados e a pressão continua forte em Mossoró e na região metropolitana.

Com relação à gestão dos hospitais com lotação, como é o caso da UTI do Hospital Regional Tarcísio Maia, cujos dez leitos em funcionamento para tratamento de pacientes com sintoma de Covid estavam lotados, Spinelli falou sobre o processo de regulação. Segundo ele, as pessoas que adoecem de forma grave ou potencialmente grave devem procurar um pronto socorro –  UPAs e hospitais municipais. A partir daí, identificada a gravidade e necessidade de internamento em um dos hospitais de tratamento, ocorre a regulação. Não havendo vaga, a regulação vai direcionar para onde houver disponibilidade de leito. Ele citou o caso de paciente vinculado à II Regional de Saúde que, em tese seria encaminhado para Mossoró, mas foi transferido para Caicó.

 

Recursos federais

Questionado sobre o repasse dos recursos federais para o Estado e a utilização dos valores, o secretário adjunto de Saúde comentou que o Governo Federal se comprometeu a repassar não só recursos, mas equipamentos e EPIs.

“Dentro do que foi projetado, nós tivemos até agora, particularmente, no que diz respeito a EPIs e respiradores um repasse muito baixo e testes também em relação ao que nós precisamos, em relação ao que foi acertado. Então, os repasses ainda estão extremamente tímidos”, disse Spinelli.

“Do ponto de visto financeiro foi repassado para o Estado algo em torno de R$ 30 milhões. Esse valor ele é insuficiente, ele está sendo usado exatamente para financiar esses leitos Covid nos hospitais próprios do Estado, que tem uma despesa muito grande, nas contratações que nós precisamos fazer, seja dos leitos privados, seja desses convênios, desses contratos como o da Liga, que é fundamental e importante e também nessas parcerias que nós estamos construindo com os municípios”, complementou.

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