O cenário político do Rio Grande do Norte vive um daqueles momentos em que a teoria e a prática parecem caminhar em trilhas opostas. O recente rompimento de Walter Alves (MDB) com a governadora Fátima Bezerra (PT) redesenhou as alianças para 2026, mas deixou uma “ilha de influência” que chama a atenção de qualquer observador atento: a permanência do MDB em cargos estratégicos do Governo Federal no estado, com destaque para a superintendência do DNIT.
Enquanto no plano estadual o desembarque foi “rápido” — com a entrega de secretarias e cargos na Caern —, no plano federal a música é outra. A manutenção de Getúlio Batista, um nome historicamente ligado a grupos de direita e agora sob o guarda-chuva de Walter, no comando do DNIT-RN, revela a face pragmática do MDB. O órgão não é apenas um posto burocrático; é o coração das obras de infraestrutura mais aguardadas do estado, como a duplicação da BR-304.
Essa configuração cria uma situação curiosa. Walter Alves, agora aliado de Allyson Bezerra e em campo oposto ao PT local, continua a exercer influência direta sobre o cronograma de obras que são a principal vitrine do governo Lula no Rio Grande do Norte. Para Walter, manter o DNIT é garantir que a “paternidade” de grandes entregas federais não fique exclusivamente nas mãos do PT potiguar.
No fim das contas, o eleitor se depara com um jogo de espelhos: um MDB que é oposição na Governadoria do RN, mas que segue sentado à mesa em Brasília.
