Rubio diz que Flávio ofereceu equipe de transição aos EUA caso seja eleito

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Por Gabriel Gomes e Jamil Chade

ICL Notícias

A carta enviada pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, ao senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), indica que o parlamentar ofereceu colocar uma equipe de transição de governo à disposição da administração de Donald Trump, caso seja eleito nas eleições de outubro.

Na carta, enviada na terça-feira (23), Rubio afirma que os Estados Unidos “permanecem firmes em seu desejo de ver um Brasil próspero, seguro e economicamente estável”. Em seguida, diz que Washington registra o “otimismo” de Flávio em relação às eleições de outubro e sua “generosa oferta de colocar uma equipe de transição à nossa disposição caso o senhor seja eleito”.

O secretário acrescenta que os Estados Unidos “estão prontos para trabalhar de forma cooperativa com os líderes escolhidos pelo povo brasileiro para promover um marco de comércio e investimentos amplo, justo e mutuamente benéfico”.

“Espero ansiosamente pela continuação do nosso diálogo e pelo aprofundamento da parceria estratégica entre nossas duas grandes nações”, diz a carta.

No texto, Rubio afirmou que o governo dos EUA deve manter a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros. O anúncio do novo tarifaço contra o Brasil se deu cerca de uma semana após um encontro entre Flávio e Trump.

No governo brasileiro, o trecho da carta de Rubio que se refere à equipe de transição foi vista como um dos elementos mais concretos da submissão de Flávio Bolsonaro aos interesses americanos. Na avaliação de Brasília, o gesto é inédito e abre debates sobre o papel que o governo Trump poderia ter até mesmo na formulação de políticas públicas no Brasil.

Para observadores do governo, a carta foi “telegrafada”. Ou seja, teria sido um gesto combinado entre o bolsonarismo e Rubio para elevar Flávio a uma condição de um ator político que poderia ser considerado como um interlocutor viável com o Brasil.

Diplomatas mais experientes admitiram ao ICL Notícias que nunca tinham visto um grau de submissão da dimensão que o texto sugere.

Tarifaço e articulação dos Bolsonaro

O tarifaço contra as exportações brasileiras, assim como a revogação de vistos de ministros do STF e do governo federal e a aplicação das sanções econômicas da Lei Magnitsky, foi estimulado pelo irmão de Flávio, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), na tentativa de evitar a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro no processo da trama golpista.

O texto de Rubio foi escrito em resposta à uma carta em que Flávio Bolsonaro, após as ações do irmão, pedia que os EUA não impusessem tarifas de 25% aos produtos brasileiros, como recomendou uma investigação comercial do governo norte-americano.

Ao longo do texto, o governo dos Estados Unidos agradece o apoio de Flávio à decisão dos Estados Unidos de classificar o Comando Vermelho e o PCC como organizações terroristas estrangeiras. A medida é vista com preocupação entre especialistas no Brasil pela possibilidade de que a classificação seja usada para justificar ações unilaterais dos EUA sob o argumento de combate ao terrorismo.

Investigação comercial dos EUA

Na carta, Rubio reafirmou a posição dos EUA sobre políticas que supostamente prejudicam a economia norte-americana, entre elas o Pix. O secretário afirma que a investigação conduzida no país sobre práticas comerciais deixou “claro que continuamos a ter diferenças substanciais na resolução das questões identificadas nesta investigação”.

Rubio cita as diferenças, como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais injustas, aplicação da lei anticorrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.

“Qualquer parte interessada no Brasil pode participar do período de comentários públicos sobre a ação responsiva proposta e da audiência pública”, diz Rubio, em referência a uma audiência que vai acontecer no próximo dia 6 de julho.

O secretário encerra a carta dizendo “que Deus abençoe os Estados Unidos e o Brasil”.

Confira a carta na íntegra: