Safadão e Luan Santana receberam os maiores cachês individuais no RN; Mossoró pagou seis do top 10

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O entretenimento tornou-se um negócio de cifras colossais para os cofres públicos potiguares em 2025. Uma análise detalhada dos contratos publicados no Painel Festejos do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RN) revela que o “clube do milhão” não é mais uma miragem: ele é uma realidade consolidada, especialmente nos grandes polos festivos do Rio Grande do Norte.

No topo da pirâmide dos pagamentos, nomes do sertanejo e do forró eletrônico nacional abocanharam cachês que, sozinhos, superam o orçamento anual de cultura de dezenas de municípios menores.

O cantor Wesley Safadão encerra o ano como o artista mais caro do Rio Grande do Norte. O cearense foi o único a romper a barreira do milhão em duas ocasiões distintas: no Mossoró Cidade Junina e na FINECAP, em Pau dos Ferros. Em ambos os eventos, o valor de R$ 1.100.000,00 foi pago por uma única apresentação de aproximadamente 90 minutos.

Logo atrás, Luan Santana consolidou sua posição de destaque. O artista recebeu R$ 985 mil tanto em Natal quanto em Mossoró, tornando-se a segunda atração mais valorizada pelas gestões municipais em 2025.

Ranking: Os 10 Maiores Cachês Individuais (RN 2025)

Pos. Artista Valor do Cachê Cidade / Evento
Wesley Safadão R$ 1,1 milhão Mossoró (Cidade Junina)
Wesley Safadão R$ 1,1 milhão Pau dos Ferros (FINECAP)
Luan Santana R$ 985 mil Natal (São João)
Luan Santana R$ 985 mil Mossoró (Cidade Junina)
Nattan R$ 900 mil Mossoró (Cidade Junina)
Ana Castela R$ 850 mil Mossoró (Cidade Junina)
Simone Mendes R$ 800 mil Mossoró (Cidade Junina)
Simone Mendes R$ 800 mil Natal (Natal em Natal)
Durval Lelys R$ 800 mil Natal (Réveillon)
10º Alok R$ 750 mil Natal (São João)

Mossoró: A “Capital dos Grandes Contratos”

A tabela deixa claro que a Prefeitura de Mossoró é a principal pagadora do estado. Das 10 maiores contratações do ano, seis foram realizadas pela capital do Oeste. O investimento pesado na Estação das Artes é a espinha dorsal do Mossoró Cidade Junina, que em 2025 focou em atrações de peso nacional para competir com os festejos de Campina Grande (PB) e Caruaru (PE).

Natal aparece logo em seguida, concentrando seus maiores investimentos no São João e nas festividades de fim de ano. Um destaque importante é a presença de Durval Lelys, que com seu cachê de R$ 800 mil para o Réveillon, reforça a aposta da capital em atrações consagradas do axé para grandes eventos de rua.

A Justificativa dos Gestores

Apesar dos valores vultosos, os prefeitos defendem as contratações baseadas no retorno econômico. Em Mossoró, a gestão municipal apresentou dados que apontam uma injeção de mais de R$ 360 milhões na economia local durante o mês de junho, impulsionada justamente pela atratividade desses grandes nomes.

No entanto, o Ministério Público e o TCE-RN mantêm o alerta ligado. A preocupação é com a desproporcionalidade: em cidades como Pau dos Ferros, um único show (Safadão) representa uma fatia massiva dos recursos destinados ao entretenimento anual, deixando pouco espaço para o fomento de artistas locais e regionais.

Curiosidade: Onde estão os artistas locais?

Para efeito de comparação, enquanto os 10 primeiros do ranking recebem entre R$ 750 mil e R$ 1,1 milhão, os principais artistas potiguares — como a Banda Grafith ou Cavaleiros do Forró — raramente ultrapassam a marca de R$ 250 mil por show individual, evidenciando o abismo de valorização entre o mercado nacional e o regional dentro do próprio estado.